Capão Bonito,  
Pesquisadores destacam a importância do desbaste em tangerinas

Para ter beleza e doçura, o fruto de uma tangerineira necessita de cuidados especiais.

Além dos tratos culturais adequados como implantação correta da cultura, com correção do solo, adubação equilibrada e ajustada para as condições nutricionais da planta, manejo de defensivos conduzidos com critério para atingir o alvo e agredir menos o meio ambiente, há necessidade de se adotar outras técnicas que tenham como foco o aumento da produtividade, mas com qualidade de seu produto.

É o que garante a pesquisadora científica Rose Mary Pio, que já coordenou vários eventos agrícolas em Capão Bonito, e o engenheiro José Dagoberto De Negri do Centro de Citricultura Sylvio Moreira/IAC.

A produção de tangerina é destinada, basicamente, ao consumo como fruta fresca.

Este fato aumenta muito a responsabilidade do produtor com relação ao seu aspecto físico e também ao seu sabor, que no caso do consumidor brasileiro tem que ser doce e com pouca acidez.

Segundo os pesquisadores, as variedades cítricas de maneira geral produzem muitas flores e dependendo da cultivar, somente uma pequena porcentagem tem pegamento, podendo ser inferior a 0,2%.

Entretanto, esse baixo vingamento raramente é limitante à produção, tendo em vista o elevado número de flores produzido pela maioria das cultivares, que pode ser de 100.000 a 200.000 por planta adulta.

“Mesmo com toda essa queda natural, a produção de frutos ainda é muito intensa, como é o caso das variedades de tangerinas cultivadas comercialmente no País.

A Ponkan apresenta alternância de produção, isto é, produz muito em um ano e pouco no ano seguinte. Assim sendo, os frutos produzidos, no ano com excesso de produção, são de tamanho pequeno, portanto, com menor valor comercial para os padrões nacionais.

A Murcott também floresce em abundância e a taxa de pegamento é bastante alta. Dessa maneira, os frutos ficam de tamanho pequeno e, em alguns casos, as plantas sofrem um processo de estresse que pode levá-la a morte.

As cultivares que apresentam sementes têm uma porcentagem maior de pegamento, pois o processo de polinização e as próprias sementes estimulam a síntese de hormônios nos ovários em desenvolvimento, evitando a queda da flor e do fruto inicial, ou seja, do ovário logo após a queda das pétalas”, destacam os pesquisadores em artigo recentemente publicado.

As pesquisas levam em conta resultados de ensaios do Polo de Desenvolvimento do Agronegócio de Capão Bonito.

Conforme ainda os pesquisadores, técnicas para se reduzir o número de frutos como a poda, os raleios manual e químico podem ser utilizados para amenizar o problema e tornar o fruto de tamanho adequado para o mercado de fruta fresca.

“A poda promove a redução da área foliar e em consequência o desequilíbrio carboidrato/nitrogênio. Essa mudança implica no aumento do crescimento vegetativo e na redução de floração e, portanto, no declínio da produção. Para o caso das frutas destinadas ao consumo in natura, a poda deve ser realizada manualmente, com muito critério para que se eliminem os ramos improdutivos e se aproveite aqueles com potencial para produzir frutos. Esse procedimento faz com a planta tenha uma melhor conformação, inclusive com maior penetração de luz em seu interior, facilidade para aplicação de produtos fitossanitários e porte menor, o que favorece a colheita dos frutos. A prática do raleio, que pode ser químico e/ou manual, permite que a planta “segure” um número de frutos mais compatível com a sua capacidade de nutri-los de forma adequada”, destacam.

O raleio químico é realizado com o ácido 2-cloroetilfosfônico (ethephon), ácido giberélico ou auxinas.

“Importante saber que a ação desses reguladores depende de uma série de fatores como cultivar alvo da aplicação, estádio de desenvolvimento das plantas, condições climáticas, entre outros. O modo de ação desses fitoreguladores é diferente, portanto, o momento correto de aplicação é importante para que a resposta não seja diferente do esperado.

O raleio químico com pulverizações utilizando ethephon, realizado durante a plena queda natural dos frutos, promove a formação de elevada porcentagem de frutos grandes e diminui a alternância de produção, produzindo uma boa florada no ano seguinte. Tem desvantagens como a permanência de frutos que deveriam ser eliminados no interior da copa, devido às baixas pressões de pulverização; diminuição do teor de sólidos solúveis no suco dos frutos e se não ocorrer um ajuste na dosagem, a queda excessiva de folhas tem sido também notada. O raleio manual já se trata de uma técnica mais demorada, o que se justifica em pomares menores. Deve-se adotá-la depois da queda natural dos frutos por dois motivos: diminui o tempo gasto no trabalho e evita-se o raleio excessivo provocado por quedas posteriores.

Para as nossas variedades comerciais recomenda-se um desbaste da ordem de 50% a 80% e que a distribuição seja de um fruto por ramo, distantes num raio de 20 cm. A prática tem mostrado que o comprimento de uma caneta é a distância ideal para se deixar um fruto do outro”, concluem os pesquisadores.

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