ANSIEDADE: quando é natural e quando precisa de atenção

Maria Goretti da Silva, Psicóloga – CRP 06/1149116; SerMentes – um espaço para compreender a si mesmo, reconectar-se com seus valores e viver com mais consciência

 

A ansiedade é uma emoção humana natural. Ela faz parte do nosso mecanismo de sobrevivência e nos ajuda a reagir diante de desafios. Antes de uma entrevista de emprego, de uma prova, de uma decisão importante ou de uma situação nova, é esperado que o corpo entre em estado de alerta. O coração acelera, a respiração muda, a atenção aumenta. Esse movimento prepara o organismo para agir. Sentir ansiedade, portanto, não é um problema. Pelo contrário: em doses adequadas, ela nos impulsiona, organiza prioridades e favorece o desempenho.

A atenção precisa surgir quando essa resposta deixa de ser pontual e passa a ser frequente, intensa ou desproporcional às situações do dia a dia. A ansiedade natural aparece diante de um desafio real e tende a diminuir depois que o evento termina. Já quando ela precisa de cuidado, pode surgir mesmo sem um motivo claro, permanecer por longos períodos e interferir na rotina.

Alguns sinais merecem observação:

  • preocupação excessiva e difícil de controlar;
  • sensação constante de que algo ruim pode acontecer;
  • tensão muscular frequente;
  • irritabilidade ou impaciência aumentadas;
  • dificuldade de concentração;
  • alterações no sono;
  • evitação de situações por medo antecipado.

Não é a presença isolada de um sintoma que define a necessidade de ajuda, mas o impacto que ele causa na qualidade de vida. Quando a ansiedade começa a limitar escolhas, prejudicar relações, afetar o desempenho profissional ou acadêmico e gerar sofrimento constante, é importante buscar orientação.

Vivemos em uma época marcada por excesso de informações, cobranças e estímulos contínuos. Muitas pessoas permanecem em estado de alerta quase permanente e acabam se acostumando a viver tensas, como se isso fosse simplesmente “normal”. No entanto, manter o corpo e a mente em constante urgência cobra um preço emocional e físico ao longo do tempo.

Observar a própria ansiedade com mais consciência é um passo essencial. Perguntas simples podem ajudar: “Isso está proporcional à situação?” “Essa preocupação me ajuda a agir ou apenas me paralisa?” “Tenho conseguido descansar mentalmente?”

Quando necessário, conversar com um profissional pode auxiliar na compreensão dos “gatilhos”, na organização de pensamentos e no desenvolvimento de estratégias mais saudáveis de enfrentamento.

Falar sobre ansiedade de forma aberta e responsável reduz preconceitos e amplia o acesso ao cuidado. Sentir ansiedade faz parte da condição humana. O cuidado está em reconhecer quando ela deixa de ser aliada e passa a se tornar um peso.

Cuidar da saúde mental é aprender a diferenciar o alerta necessário do sofrimento que precisa de atenção, e agir antes de que ele se intensifique.

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