O Governo do Estado lançou em cerimônia realizada no Palácio dos Bandeirantes no mês de outubro o que considera um megaprojeto para o desenvolvimento dos municípios que têm os piores IDHs (Índice de Desenvolvimento Humano) dentro do território paulista.
Apesar de ter sido lançado com festa e pompa, o projeto denominado como Vale do Futuro, por ter como base municípios do Vale do Rio Ribeira, acabou excluindo os municípios que têm efetivamente os piores índices de desenvolvimento do Estado e que se encontram, em parte, situados na região Sudoeste.
Entre os 10 piores municípios em índices de desenvolvimento humano do Estado apenas 4 estão encaixados dentro do projeto feito pelo governo estadual que tem a pretensão de viabilizar 2 bilhões de reais em programas de desenvolvimento para projetos de geração de renda e desenvolvimento social. Ficaram de fora, por exemplo, Ribeirão Branco que detém o pior índice do Estado com IDH igual 0,639, a cidade de Nova Campina que está na colocação 643 com IDH de 0,651 e Bom Sucesso de Itararé que fica com a posição 641 com o IDH 0,66.
Estes municípios têm em comum o fato de pertencerem a região Sudoeste e de fazerem divisa geográfica, mostrando assim que uma parte significativa do Estado não foi contemplada com este projeto que visa desenvolver o município com piores índices de desenvolvimento.
O programa do governo envolve cinco municípios que fazem parte do Alto Ribeira, no caso Apiaí, Itaóca, Ribeira, Barra do Chapéu e Itapirapuã Paulista e também um que faz parte da região Sudoeste que é Ribeirão Grande e que foi incluído após gestão de meses feita pela prefeita de Eliana Santos junto ao Codivar (Consórcio de Desenvolvimento do Vale do Ribeira). O caso já teria sido levado ao Governo do Estado antes do lançamento do Projeto Vale do Futuro, mas a demanda não foi acolhida.
“Em reunião com a secretária de Desenvolvimento Econômico, Patrícia Helen, coloquei que seria importante a inclusão de municípios do Sudoeste e que estes têm IDHs piores do que os de municípios do Vale do Ribeira, mas nossa demanda pelo jeito não foi acolhida”, disse o presidente do Condersul e prefeito de Capão Bonito, Marco Citadini.
Há muito tempo políticos da região Sudoeste afirmam que o Governo do Estado parece não entender a divisão geográfica que envolve o Sudoeste e o Vale do Ribeira. “Há uma divisão dos municípios do Estado por região e por bacia hidrográfica, o governo neste caso do Projeto Vale do Futuro está usando em grande parte o critério da bacia, mas isto acaba não sendo possível de resolver problemas na prática, pois municípios como Apiaí, Itaóca, Barra do Chapéu, Ribeira, Itapirapuã Paulista estão na Bacia do Rio Ribeira, mas têm ligação com o Sudoeste, tanto que os casos mais complexos de saúde destes municípios são destinados para Itapeva, até porque não existe ligação rodoviária entre o Alto e o Baixo Vale do Ribeira”, esclareceu o presidente do Condersul, Marco Citadini.
O prefeito de Ribeirão Branco, Mauro Teixeira, em recente reunião de prefeitos manifestou seu descontentamento com o falta de atenção do Governo do Estado e um dos motivos é a recente exclusão de seu município de mais um programa de desenvolvimento. “Estamos fazendo praticamente tudo com as nossas pernas. Tem uma empresa que quer investir no nosso município e gerar empregos, mas não consigo apoio do Governo do Estado nem para melhoria da estrada para o empreendimento. Como vamos conseguir alcançar o desenvolvimento em nossas cidades se o Estado parece que não nos enxerga”, disse Mauro Teixeira.
Segundo prefeitos, após o lançamento do programa Vale do Futuro foi enviado reclamação ao secretário de Desenvolvimento Regional, Marco Vinholi, para que fosse dada uma atenção ao tema e ele teria se comprometido de estudar a questão. Para um prefeito ouvido pela reportagem, por enquanto os municípios terão que mostrar aos técnicos do Estado que uma simples visita à região poderia ser suficiente para constatação do esquecimento a que a região está relegada.









