Em sessão agitada, a Câmara de Capão Bonito rejeitou um pedido de CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) liderado pelo vereador Fio Londrina, do DEM, em que era solicitada a investigação completa sobre a implantação de abrigos de ônibus ecológicos (guaritas) com verbas de emendas impositivas de vereadores da cidade.
O pedido de CPI foi derrubado por 7 votos contra 5 e o que mais levou em conta para a não aprovação da Comissão foi o fato de que a prefeitura não fez nenhum pagamento à empresa e que já abriu um processo administrativo em que foi rejeitado tecnicamente a instalação dos abrigos.
O vereador Fio Londrina, que liderou o pedido de CPI, foi quem mais defendeu a investigação alegando que o caso deveria ser investigado, pois não pegou bem para a Câmara. O vereador do DEM tem tido nos últimos meses frequentes embates em reuniões com o secretário de Obras, Agropecuária e Meio Ambiente Reinaldo Elias Daniel Junior, sobre vários temas e no meio político comenta-se que a CPI era uma forma de atingir o prefeito Marco Citadini e também o secretário Reinaldo Junior, visto por alguns vereadores como concorrente para a eleição de 2020.
Outro vereador que defendeu a CPI foi o vereador Matheus Francatto, do PL, e que questionou a resposta vinda do Executivo sobre a instalação das guaritas. Os dois vereadores que mais discursaram pela instauração da CPI foram eleitos com o prefeito Marco Citadini, mas atualmente atuam como oposicionistas, principalmente depois que a atual administração passou a receber apoio de vereadores que foram eleitos por grupos adversários.
Francatto tem se declarado como pré-candidato a prefeito e para muitos políticos da cidade teria interesse na Comissão para causar desgaste ao grupo da situação.
Os vereadores que foram contra a instauração da CPI foram enfáticos em lembrar que segundo a prefeitura não houve pagamento à empresa que venceu o pregão para fornecimento dos abrigos e, além disso, na resposta ao pedido de informações feito pela Câmara para esclarecer o caso foi apresentado laudo de reprova do material e também notificação à empresa para que ela explique a qualidade do produto e das instalações.
Os vereadores que foram contra o pedido de CPI ainda lembraram que a prefeitura não está sendo omissa e não se pode politizar algo que está sendo resolvido administrativamente. “Não podemos criar uma CPI que sabemos que não irá levar a nada efetivo, pois não houve prejuízo e não existe em nenhum momento algo nebuloso. O que ocorreu foi um mau serviço prestado por uma fornecedora e a prefeitura não está sendo omissa”, disse o presidente da Câmara Adinan Martins que não chegou a votar na sessão.
Outro ponto que os vereadores levaram em conta é que os abrigos de ônibus foram instalados em locais indicados pelos vereadores e através de emenda impositiva que os vereadores criaram em 2018 para este ano e que dá direito a 90 mil reais por vereador, estes valores são distribuídos para entidades e obras, sendo obrigatório que seja 50% para a área da saúde e 50% para investimentos em qualquer outra área. Um dos vereadores que mais sofreu com a questão dos abrigos de ônibus foi o vereador Mário Silva, do PRB, que acompanhou a instalação de uma unidade no Jardim Santa Isabel e defendeu a qualidade, por esta manifestação Silva acabou sendo muito questionado e até alvo de chacotas pelas redes sociais.
Outro vereador que acompanhou a instalação em vários pontos da zona rural foi Valdeci do Moreno e que já chegou a declarar que as guaritas foram elogiadas pela comunidade rural.
Votaram contra a CPI os vereadores: Heitor da Gelsa, Mário Silva, Carlos Chaves, Márcio Its, Nino Nunes e Neto da Farmácia. A favor: Fio Londrina, Matheus Francatto, Valdeci do Moreno, Romano Silva e Alan Galvão.
Entenda o caso
No mês de outubro a empresa Lancy que venceu um pregão de registro de preços para fornecer abrigos de ônibus para o município de Capão Bonito, instalou os abrigos para atender solicitação de emendas impositivas de vereadores.
Alguns vereadores chegaram a acompanhar a instalação das guaritas, mas assim que o prefeito Marco Citadini, que estava em viagem, verificou a estado das unidades e sua instabilidade, determinou o não pagamento pelo serviço, a realização de um laudo para avaliar se as guaritas estavam dentro do padrão especificado e as demais providências sobre o caso. O laudo feito por técnicos da prefeitura reprovou o produto e a empresa foi notificada a dar explicações ou retirar as guaritas. O caso foi amplamente explorado pelas mídias sociais principalmente após declarações do vereador Mário Silva defendendo a sua implantação.
Segundo a assessoria de comunicação da prefeitura de Capão Bonito, os abrigos de ônibus não foram pagos e o processo está seguindo o seu trâmite normal sendo dado direito de defesa para a empresa e no final unidades podem ser até retiradas









