O prefeito Marco Citadini (PTB) concedeu nesta semana uma entrevista exclusiva ao jornal O Expresso.
Falou sobre a crise financeira que afeta as prefeituras de todo o país e o exemplo de Capão Bonito na gestão administrativa, principalmente em ações de austeridade fiscal e manutenção dos salários dos servidores municipais em dia e antecipação de benefícios como o 13º salário.
Citadini também falou sobre o polêmico caso das guaritas e disse que assim que constatou as irregularidades na instalação, suspendeu imediatamente o pagamento. Por fim, o prefeito de Capão Bonito reafirma sua briga com as reflorestadoras que ainda não recolheram os valores correspondentes ao ITBI aos cofres municipais.
OE – Muitas prefeituras do país estão passando por um grave momento de crise financeira. Como estão as contas da Prefeitura de Capão Bonito?
Marco Citadini – A precária situação financeira das prefeituras não é segredo para ninguém no país, vejamos o que está acontecendo na cidade do Rio de Janeiro que é segunda maior do país e que tem uma arrecadação per capita enorme. Cidades como Ribeirão Preto e tantas outras não estão conseguindo pagar os salários dos servidores. Nós, apesar de alguns irresponsáveis divulgarem mentiras, estamos honrando os compromissos e tocando a administração, mas é inegável que os últimos anos foram os mais difíceis para todas as prefeituras, mas em Capão Bonito as coisas não param e, além disso, estamos pagando contas. Este ano pagamos a 36ª parcela do financiamento como Desenvolve SP que foi usado para pavimentação de 150 ruas totalizando 6,3 milhões de reais.
OE – E o pagamento do salário dos servidores? Como está?
Marco Citadini – Estamos pagando os salários dos servidores em dia, antecipamos inclusive a segunda parcela do 13º salário, nos dois últimos anos concedemos a reposição da inflação que não era repassada há anos, estamos regularizando o pagamento das férias que estavam sendo feitas de forma errada e geraram centenas de ações trabalhistas contra a prefeitura.
Tudo isso num momento em que a prefeitura tem sofrido com a diminuição dos recursos.
OE – Um dos fatos políticos que gerou grande repercussão, foi o caso das guaritas. Como está o caso?
Marco Citadini – O caso das guaritas eu estava em viagem representando o município e o Condersul, quando cheguei verifiquei que a instalação estava inadequada e determinei o não pagamento até a realização de um laudo técnico e posterior regularização. Já está comprovado pelas próprias declarações da empresa em que ela assume erros na instalação.
Acho que está tudo explicado, mas a oposição insiste em requentar este fato para tirar o foco da nossa investigação sobre a Suzano Celulose.
OE – A sua administração também tem divulgado bastante o novo Distrito Industrial. Como está esse projeto?
Marco Citadini – Contrariamente do que muitos diziam, conseguimos fazer a doação de toda a área disponível. São 100 mil metros quadrados para 16 empresas de fora e também para empresários locais que querem entrar em outro ramo de atividade. Serão no mínimo 300 empregos e, além disso, estamos fazendo tudo com recursos próprios e dos próprios empresários. Muita gente da oposição infelizmente está torcendo contra, mas não adianta torcer contra por questão política, pois o projeto já deu certo. Não tem sido fácil devido a situação do país, mas estamos tocando isso com determinação.
O resultado é fácil de medir é só comparar o que nós estamos fazendo na geração de emprego com as outras gestões. O novo Distrito vai ser um marco da industrialização da cidade.
OE – A cidade está recebendo um grande volume de investimentos imobiliários, como novos loteamentos e o conjunto de apartamentos próximo à Rodoviária. Como a sua gestão conseguiu atrair investimentos para a cidade?
Marco Citadini – Abrimos a cidade para estes empreendimentos, mas agora com toda a infraestrutura, pavimentação, iluminação, água, esgoto e tudo isso a preços razoáveis para diminuir os custos na cidade. Liberamos empreendimentos como os 100 apartamentos próximos a rodoviária e existem outros pedidos já sendo protocolados na prefeitura. Serão mais de mil lotes comercializados. Vamos dar um incremento no setor da construção civil em Capão Bonito. Coisa que não acontecia há décadas. O último loteamento lançado foi o Terras do Embiruçu, lotes grandes e para pessoas ricas, sem esgoto e com pavimentação precária.
OE – Quais são as principais ações da Administração Municipal em 2020?
Marco Citadini – Continuar nosso trabalho na geração de emprego, lembrando que estamos atuando não somente no Distrito II, tanto que retomamos áreas no Distrito I onde já está funcionando uma nova fábrica de batatas. Trabalhos na área de saneamento como do Parque das Nações, Jardim Europa, Vila Guanabara. Ampliar o ensino integral que começou pela escola da vila São José, pavimentações de ruas da parte debaixo da vila Aparecida e do Jardim Europa e outras que estão andamento. A ciclovia que ligaremos o começo da vila Aparecida com a Fatec. A inauguração da nova rodoviária que não envergonhará mais o capão-bonitense e tantas outras ações, como o estímulo à iniciativa privada em investir em Capão Bonito. Vejamos o caso do Grupo Cofesa que decidiu fazer sua segunda loja Cofesa Max em nossa cidade e não em outros centros maiores por acreditar em nosso projeto de desenvolvimento.
OE – E como está a investigação sobre a compra e venda de terras de reflorestadoras em Capão Bonito, incluindo a Suzano?
Marco Citadini – Este talvez seja o maior desafio, muitos falaram que eu sou louco, pois estou brigando com uma das maiores empresas do mundo, mas tenho obrigação de defender os interesses de Capão Bonito. Nunca peguei nada deles em campanha como outros.
Foram comprados 14 mil alqueires de terras do Grupo Votorantin em Capão Bonito em 2015 e a Suzano, sucessora da Fibria tem que pagar o ITBI como todo cidadão paga. Estamos falando de valores de no mínimo da ordem de 15 milhões que devem ser usados para beneficiar o povo.
OE – Ano que vem teremos eleições municipais. Você é pré-candidato à reeleição?
Marco Citadini – Sou candidato a reeleição para continuar o projeto de recolocar Capão Bonito nos trilhos do desenvolvimento. Continuo defendendo a responsabilidade administrativa para não deixar a prefeitura sair dos trilhos. Mas dando ênfase a geração de emprego e estímulo a empreendimentos privados e responsabilidade na gestão administrativa. Minha reeleição também está embasada num grupo de apoio que envolve vários partidos e deputados como Guilherme Mussi, Edson Giriboni, Vitor Lippi e muitas outras lideranças, sou candidato de um grupo que quer o desenvolvimento de Capão Bonito.
Mensagem final
“Estamos entrando em 2020, peço a cada cidadão que continue acreditando em nossa cidade, depois de décadas de estagnação voltamos a crescer e vivemos o melhor ambiente para o desenvolvimento de nosso município. Vamos em frente, pois basta que comparemos com as outras cidades e veremos que estamos no caminho certo”, declarou Citadini.









