Educadores de Capão Bonito participaram de palestra

Há quase 20 anos entre as primeiras posições do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa), a Finlândia é referência mundial em Educação.
Pode-se atribuir como parte desse resultado o modelo utilizado pelos finlandeses para avaliar o processo de aprendizagem dos cerca de 500 mil alunos da Educação Básica.
Atualmente, o país nórdico aplica dois tipos de avaliação: as objetivas, que consistem na realização de provas com atribuição de notas, e as formativas, realizadas para que o aluno possa compreender o próprio aprendizado por meio da autoavaliação e da avaliação comparativa.
Na Finlândia, para ajudar os alunos a entenderem esse processo de autoavaliação é preciso, sobretudo, que o professor analise como o estudante faz sua autoavaliação, segundo a professora Ayla Patrícia Huovi que trabalha e reside no país há 16 anos e leciona para turmas da Educação Básica e imigrantes.
A professora realizou uma interessante palestra no último sábado, 1º de fevereiro, no auditório multimídia da Associação Educacional da Boa Vontade, em São Paulo.
Capão Bonito foi representada por diretores de Divisão da Secretaria de Educação, pelo secretário Wagner Antonio Santos e professoras.
De acordo com Huovi, na Finlândia a avaliação formativa é feita constantemente. Na prática, perguntas específicas para cada faixa-etária são colocadas em um formulário para que as crianças respondam, por exemplo, se está conseguindo fazer suas atividades com calma ou se consegue ler e escrever sem dificuldades.
“A partir dessas respostas é que o professor poderá atuar efetivamente. Se um aluno responde que consegue fazer tudo sem dificuldades ou (não consegue fazer) nada, é nessa hora que o professor deve se atentar para orientá-lo e tentar entender porque ele sabe tudo ou nada. E nesse processo de autoavaliação, o papel do professor, de forma alguma, é dar respostas. Na autoavaliação não há respostas, mas sim o professor fazendo com que o aluno pense por si mesmo”, explicou a professora.
Segundo ainda Ayla Huovi, os professores na Finlândia estão empenhados no processo de avaliação do aprendizado os resultados podem ser vistos na sociedade.
“Quando você se torna um profissional que consegue trabalhar independentemente e consegue receber críticas, com mais autonomia para fazer sem que haja a necessidade de ser demandado”, exemplificou.
“No dia a dia escolar, os alunos passam a se conhecerem mais a ponto de conseguirem identificar o aprendizado deles dentro do processo e como podem melhorar. Aos poucos, isso vai acrescentando a percepção de responsabilidade sobre o próprio ensino. O aluno toma essa responsabilidade para ele. Pedagogicamente falamos de uma orientação própria”, explicou.
Assim como para os alunos, a avaliação comparativa é feita entre iguais. Segundo ainda Huovi, não faz qualquer sentido um diretor, por exemplo, avaliar um professor, uma vez que não desempenham a mesma função. “Como na Finlândia não há a figura do coordenador, quem faz essa comparação são os próprios professores. Geralmente a avaliação comparativa deve ser feita e dada pelo colega que o professor trabalha mais diretamente porque, como o próprio nome diz, são dois profissionais se comparando e tentando se melhorar dentro da profissão”, observou a educadora.
Na educação finlandesa, 1/3 da formação dos professores é dedicada às avaliações, segundo a professora brasileira Ayla Huovi.
“O professor é preparado para isso e se cobra bastante, de modo que ele fez essa autoavaliação ao longo da vida, até antes mesmo de ser professor”, contou.
A educadora acredita que a experiência de autoavaliação e a avaliação comparativa feitas pela Finlândia pode ajudar a Educação brasileira ao sugerir o uso de técnicas mais efetivas. “Nós temos isso no Brasil, só que a forma como a Finlândia faz, desde cedo, é muito intensa. Quando começarmos a introduzir isso aqui, como é feito na Finlândia, veremos os reflexos na sociedade. Digo isso porque vemos no nosso país jovens e adultos que evitam a responsabilidade, ‘o erro é sempre do outro, nunca nosso’. Lá, os alunos pegam muito cedo essa responsabilidade para eles porque todos se auto avaliam e sabe a responsabilidade de si”, disse.
O secretário Wagner Santos durante entrevista a TV LBV, considerou que os exemplos do país nórdico podem ser aplicados na Educação brasileira e de Capão Bonito.
“A integração entre família, criança e professor é um grande exemplo a ser seguido. Essa é uma das coisas que mais impressionaram na Finlândia. Já no início eles combinam, juntos, o que vão aprender e os papeis de cada um ficam muito claros. A partir disso, cada vez que a criança tem uma dificuldade, isso é compartilhado entre os três”, alegou o secretário.

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