Desde criança eu já ouvia esse ditado dos adultos que me cercavam, era sempre usado para expressar uma incontida admiração, ou por coisas que achavam ser impossível estar acontecendo. Essa expressão, embora tenha surgido em Minas Gerais, acompanha-nos desde há muito, em todo nosso interior do Estado de São Paulo. Ela vem do período em que Getúlio Vargas nomeava os Governadores dos Estados com a indicação de pessoas que desfrutavam de destaque político. Como em Minas Gerais havia uma grande expectativa popular de que o indicado fosse BENEDITO VALADARES, daí a origem da expressão “SERÁ O BENEDITO?”. Li há décadas, um artigo em que o colunista expressava a curiosidade que despertava em um estrangeiro, que não conhecesse nossa língua, para saber o significado das palavras colocadas em nossa Bandeira Nacional. Entendiam eles, que se foi colocado na bandeira de seu país, deve ser uma frase magnífica.
Sei que hoje não teríamos dificuldade de saber imediatamente o significado, mas isso me conduz a uma semelhante interrogação que me acompanhou desde menino, quando da minha primeira comunhão, ajoelhado, contrito, li no alto do altar a frase: “ALTAR MOR PRIVILEGIADO’.
Já mocinho, quando se ia na Igreja, era em sua totalidade, nas missas das seis da tarde, quando as mocinhas punham seus melhores vestidos e ao som do órgão em que um professor de Francês brindava a todas elas com um pout pourri, das suas músicas temas. Tais músicas não eram explicitamente tocadas, pois naquela época não era permitido na igreja a música profana, só a música sacra. Era aí que entrava o talento e a sensibilidade daquele inesquecível professor de Francês, o saudoso Genesio Gimenes Ginez.
Bem mais tarde, soube que o mais “Privilegiado” mesmo naquele local atrás do altar é a ACÚSTICA que alí existe. E hoje, graças a tecnologia do YOUTUBE, podemos assistir vídeos daquele local com a presença do CORAL FLOR DO PANEMA, composto por músicos, instrumentistas e moças, todos vestidos de branco e magnificamente conduzidos por uma maestrina. Esse Coral fez imenso sucesso se apresentando na Capital, em várias cidades do Interior do Estado, principalmente, em uma Missa na Catedral de Aparecida, que inclusive, foi transmitida pela TV.
Depois desse período, há umas décadas, uma pessoa conhecida me contou que no Coral da Igreja Matriz, havia um cantor que interpretava a musica “Nossa Senhora”, de uma forma tão emocionada, que a música se tornava uma Oração/Canção.
Acho, piamente, que aquele moço humilde, quando pediu “CUBRA-ME COM SEU MANTO DE PAZ”, foi inteiramente atendido. Seguiu sua vida, atingiu politicamente o máximo que se pode exercer em um município, e nunca deixou em segundo plano o Coral da Igreja.
Soube recentemente, que uma nova voz feminina se incluiu no Coral. No Flor do Panema ela não cantava, era a maestrina, mas retornou agora para apenas cantar.
Disseram-me, numa forma de lisonja, que quando em umas das últimas missas a voz dela apareceu, todos os Velhos Santos se entreolharam.
Entretanto, acho que o quadro que mais espelha a curiosidade dos personagens é aquele que fica na parede do lado direito de quem sai da Igreja, que representa o encontro da imagem de Nossa Senhora de Aparecida pelos pescadores do Rio Paraíba.
Nele sim, pela expressão deles, dá para constatar em legendas o diálogo deles: “De onde vem essa voz tão bonita?” —” SERÁ O BENEDITO?” — “ O Padre?” — “Não, ele tem voz muito bonita, mas essa é feminina.” E outro pescador, o autor do quadro, responde: “ Então é a filha de outro BENEDITO.”
Antonio Isidoro de Oliveira (Poli)
“Uma nota de rodapé”
O autor do quadro acima citado, é o Chiquinho Honorato, que desde os tempos de ginásio já desenhava muito bem os rostos com expressões rudes de índios e cowboys. Na restauração da pintura da Igreja, ele colocou o seu rosto num dos pescadores como assinatura da bela obra.









