O Poli está em Capão

A frase que mais se ouve e se fala nesse momento, excluindo, logicamente, os dejetos postados nas redes sociais, é: “Fazer do limão uma limonada”.
Cada sacada diante da crise pandêmica é “fazer do limão uma limonada”. Daqui a pouco o preço do limão subirá tanto que pode interferir no desce/sobe da Bolsa de Valores.
Entretanto, alguns agricultores arrojados daqui, preferem fazer do limão uma grande plantação de limoeiros, inclusive para exportação, contribuindo ainda mais para o fortalecimento e diversificação do agronegócio no município.
Mas como do limão também se faz uma limonada, preparemos a nossa com um diferencial: com baixa adição de açúcar. Mas cá entre nós, a limonada do Bar do Hiko é insuperável!
A minha limonada é literária. A quarentena me despertou, novamente, a paixão pelo texto audacioso, adormecido com a árdua tarefa pública. Apesar de o expediente ter aumentado para 12 a 14 horas/dia devido ao ritmo de informação do Coronavírus, incluindo domingos e feriados, ainda encontramos tempo para os amigos Antônio Prata, Ignácio de Loyola Brandão e outros escritores que nos brindam com a arte textual.
Enquanto alguns da minha geração travam confrontos nas redes sociais, medindo forças de opinião, eu desligo o smartphone e viajo no You Tube.
Nesta quarentena, assisti ao programa especial de 15 anos do talk show do Jô Soares, exibido em 2003.
Junto com Jô, estavam como convidados, José Vasconcellos, Paulo Silvino e Chico Anysio.
Está bom ou quer mais? Seria esse o quarteto fantástico? São os super heróis do humor, que por décadas levaram a alegria saudável a muitas gerações de brasileiros.
De cara, Jô pergunta ao Zé Vasconcellos: “Quando você descobriu que era comediante?”. Rápido e certeiro, Zé respondeu: “Quando me olhei no espelho”. Brilhante!
Também troquei o negativismo das redes sociais, mais precisamente do Facebook, pela Netflix. Logo na tela inicial aparece a foto serena de Robert De Niro. Sequer tentei outras opções, cliquei e assisti.
O choro e as risadas foram como de uma criança. O filme tocou, com sutileza, a minha alma, gerando fortes emoções do início ao fim, pois, sou ainda um daqueles privilegiados que tem a oportunidade de conviver com os experientes septuagenários, talvez, os meus melhores amigos.
A saudade também bateu nesta quarentena. Como faz falta chegar à tradicional Padaria do Bechara e ouvir do meu amigo Juraci B. Chagas: “O Poli está em Capão”.

Francisco Lino é Jornalista e membro do Senadinho Gameleiro

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