Gig Economy

Os últimos meses não têm sido fáceis para ninguém, principalmente para os setores econômicos, que movimentam a empregabilidade na cidade, no Estado e no país.
No comércio, todos estão se reinventando e procurando a melhor forma de atender o cliente.
No início da pandemia, prestei uma consultoria a um pequeno empresário da cidade de São Paulo, proprietário de uma hamburgueria na região da Vila Mariana.
Durante o período diurno, o negócio se concentrava na produção de lanches personalizados para barbearias de São Paulo e à noite, atendia os clientes num espaço próprio e bem transado e quatro entregadores disponíveis para o Delivery.
De repente, as barbearias e lanchonetes fecharam e restou apenas a entrega rápida.
Com um quadro de 20 funcionários, aluguel e outras despesas de custeio, o pequeno empresário entrou em desespero e me ligou por indicação de um colega uspiano.
Na ligação via Whatsapp, logo percebi sua aflição. Usei algumas técnicas de coach observadas em palestras do gênero e consegui acalmá-lo.
Passada a ansiedade inicial, relatou o briefing que citei acima. Antes de apresentar uma proposta e prospecção de novas vendas, fiz alguns questionamentos.
Perguntei que tipo de estabelecimento ele conseguiria atender no raio de alcance da sua região. Respondeu: “Todos”.
Fui claro à réplica: “Então, ao invés de me ligar, você deveria entrar em contato para seus futuros clientes que ainda não saborearam o seu x-burguer artesanal”. Não entendeu de imediato e insisti: “Já fez alguma visita para a galera que trabalha no Poupatempo, no IBGE, nas agências bancárias… Eles também se alimentam!”, provoquei. O quadro de colaboradores passou de 20 para 30 e o negócio renasceu com mais vitalidade.
A crise também nos leva a novas atitudes e reforça o conceito de que a única garantia que temos é que não temos garantia de nada. Tudo se transforma, se renova e todos se reinventam no comércio, na subsistência da vida e até na política.
Capão Bonito tem hoje mais de 3 mil empreendedores individuais.
O setor comercial e de prestação de serviços cresceu e é heterogêneo.
Entre os concorrentes, o produto pode até ser o mesmo, mas o serviço é personalizado, para cada gosto e desejo.
O Coronavírus se transformou numa ameaça, e muitos transformaram em oportunidade. Na eleição que ocorrerá em todo país, quem não compreender o novo ambiente social e a nova economia Gig Economy, é bom se apressar.

Francisco Lino é jornalista.

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