A última vez que havia me encontrado com o Dadá, foi quando nós dois pontuamos aquele timão do Ipiranga Atlético Club, IAC, em Capão Bonito, ele com o numero Um, no gol e eu com o numero sete, na ponta direita, e por justiça, completado pelos eternamente lembrados, Baiá, Quinero, Julinho Minhoca, Paulo Bodão e Cassiano. Agachados, Zélio, Bily, Pedro Grilo e Lazinho Reboque.
O reencontro, após tantos anos, não poderia ter sido em maior ambiente, ocorreu no Salão da Câmara Municipal de São Paulo, com a outorga da Medalha Anchieta, apenas concedida a empresários que se destacam para o desenvolvimento de São Paulo, e nessa noite, entregue ao Sr. Algirdas Balcevicius, o Dadá.
Por pouco, a alegria de reencontrar o homenageado não foi suplantada pelo meu contentamento de rever entre os outros convidados, um velho condiscípulo, hoje um importante e destacado advogado em minha cidade, e presente não só pelo convite mas por ser cunhado do homenageado.
Concordei com ele quando disse estar impressionado com o elevado nível de importância no meio empresarial, alcançado pelo seu cunhado. Acrescentou ainda, que já notara isso por ocasião em que sofreu um ligeiro desconforto cardiológico, e o homenageado fez questão de traze-lo para São Paulo e ser atendido pelo maior e mais importante cirurgião, um que era chefe de equipe de transplantes.
O meu amigo advogado, descreveu a opulência do consultório e o cerimonial do médico ao fazer a primeira pergunta ao paciente: Você pode me informar se em sua família já houve alguém com problemas do coração?
O advogado pensou um pouco e lembrou, falaram que sua mãe morreu do coração. Então, o medico perguntou com quantos anos a sua mãe faleceu. Ao que ele respondeu, “com mais de noventa anos”! Não me lembro de como o médico terminou a consulta,porém, pelo que soube, nada em termos de saúde o tem dificultado em seguir sua mãe em longevidade.
Também, posso afiançar o desprendimento do homenageado para com os que o procuram. Certa ocasião, atendendo a pedido de um amigo, fui prestar serviços em uma empresa de pequeno porte, que ganhara uma licitação em que constava o item de fornecer Cesta Básica aos funcionários contratados. Na análise de montar ou comprar essas Cestas, recorri ao homenageado para consultá-lo sobre custo dos cereais utilizados numa Cesta. Alguns dias depois, recebi a visita do Chefe de Vendas, da maior empresa de alimentação na época, a CBA, que logo notou, quão desnecessário estava sendo o deslocamento de um chefe de vendas para negociação com uma empresa tão pequena.
Em seguida, o vendedor que veio fechar nossa primeira compra, comentou que não entendia como e nem o porquê, mas fora deslocado para nossa empresa com ordens superiores para atender em tudo que eu precisasse.
O nosso homenageado, como o bom goleiro citado no início desta, deu saltos expressivos em nosso Comércio Exterior, colocando sua empresa Importadora de Alho como uma das maiores do Brasil, liderando nesse comércio com a China e outros países.
Apesar de todo sucesso alcançado pelo nosso homenageado, ele nunca deixou de vir a Capão Bonito, enquanto ainda estava entre nós o seu grande amigo, De Maria.
Gostava imensamente desse companheiro de inúmeras viagens pelo mundo. Sempre que vinha, trazia para ele mesmo preparar o jantar, as mais caras e diversas especiarias: camarões, lagostas, peixes, azeites e outros itens importados. Sei disso, porque um dia fui convidado e acabei levando uma garrafa de vinho. Confesso que não sabia nada sobre essa bebida, apenas que me trouxeram de um Duty Free, e o levei para Capão Bonito, era um “Chateauneuf Du Pape”. Quando o De Maria recebeu o vinho com a mesma indiferença que eu tinha até então, ambos fomos advertidos pelo amigo Dadá, que o vinho era dos bons.
Enquanto o Dadá preparava o peixe, fui chamado de lado e recebi a seguinte explicação: este é um Haddock, um peixe caro, fino e delicado, mas como o De Maria, por pura mania do contra, diz que não gosta desse peixe, eu estou dizendo que é Robalo, e sei que ele não vai notar nenhuma diferença.
Nada poderia superar a alegria da companhia daqueles dois grandes amigos naquela noite, porém, devo acrescentar a ela que o Haddock estava delicioso, e agora que eu sei um pouquinho sobre vinho, confirmo que aquele estava ótimo. Foi com esse inesquecível brinde que vi, pela última vez, esses dois grandes amigos juntos.
Antonio Isidoro de Oliveira (Poli)
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