As travessuras de Faustininho (parte I)

Ontem, 18 de setembro, completou 120 anos do nascimento de Faustino Cesarino Barreto. No ano de 1.900, na terra das nascentes do Parana-panema, nascia o filho de dona Izaura Cesarino e Francisco Barreto de Oliveira. Seu pai é citado no primeiro jornal da cidade, “O Democrata”, em 1.901, como integrante do Grupo Dramático de Teatro, quando era Diretor, Capitão Heduviges Lucas de Lima Barbosa e como ensaiador, Camillo Lelis, que também era diretor deste jornal. A primeira peça foi apresentada no dia 15 de agosto de 1.901.
Professor de história e grande orador, Faustino Cesa-rino Barreto, foi o primeiro cidadão da cidade a ser processado por críticas à um governo municipal. No entanto, a liberdade de expressão, foi resguardada pela Justiça. O jornal Correio Paulistano, na época do término da 2º Guerra Mundial, noticiou que Faustininho foi absolvido pelo Tribunal de Segurança Nacional por críticas que fez ao governo do ex-prefeito, capitão Virgilio Lirio de Almeida.
O TSN era um tribunal implantado na Ditadura Varguista, composto por militares e civis, para perseguir e calar elementos contrários aos go-vernantes. Não foi o caso do professor capãobonitense.
Antes, Faustininho já fazia suas andanças políticas. Na edição de 07 setembro de 1.935, o Correio Paulistano fez questão de noticiar a visita deste cidadão na redação do jornal, juntamente com Araldo de Freitas, ambos do PRP de Capão Bonito, que era o Partido Republicano Paulista, no qual o itapetiningano Julio Prestes se elegeu Presidente, mas foi impedido de assumir por um golpe militar.
Não é à toa que Barreto, contava ao seu sobrinho, das peripécias de soltar os cavalos dos gaúchos, que ficavam no terreno atrás de um hotel junto da praça, na época da Revolução de 32.
Faustininho foi vereador. Se elegeu naquela safra de 1.948, geração pós guerra, que aspirava liberdade de expressão, que não deseja mais autoritarismos e racionamento de sal.
Atuou junto com a professora Jacyra Landin Stori, a primeira mulher eleita vereadora da cidade, sendo que ambos faziam parte do Comitê de Erra-dicação do Analfabetismo, dando aulas como voluntários.
Na década de 40, esteve na diretoria da lendária “Banda 7 de Setembro” e entre os fundadores do “Ipiranga Atlético Clube”.
Faustino se casou com Maria Oliva Barreto, em 1.930. Tiveram duas filhas, Isaura e Maria Angelina, além de 4 crianças falecidas ainda bebês (Avani, Hildegardo, Ernani e Ermano). Maria Oliva faleceu em 1.941. Depois ele se casou com a professora Benedita Camargo, com quem teve dois filhos, Dalila e José Barreto. Posteriormente viúvo, se casou com dona Osória. Faleceu em 10/08/1979.
Sempre lembrado por fortes emoções daqueles que o viram ser quem foi e daqueles que ouviram de seus pais e avós a respeito deste historiador, Faustininho. Homenageado postumamente como patrono da escola do bairro Jardim Europa, “Escola Faustino”.

Rafael Ap. F. Almeida, advogado

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