Caixa Postal 131

Era comum abrir um livro da Biblioteca Municipal e se deparar com um carimbo de catalogado e a descrição: “Doação de Oswaldo Guimarães”.
Quem era esse Oswaldo Guimarães que tinha o nome estampado em diversos livros? Quem era esse que também doou livros para a fundação da Biblioteca da Escola Raul?
Era o pai de Dulce e Dulcina Guimarães. Dulcina foi duas vezes Secretária de Educação em Sorocaba. Dulce foi escritora, professora e também Diretora da Escola Raul Venturelli.
No último dia 7 de outubro, completou 86 anos do nascimento de Dulce. Sua trajetória em Capão Bonito é rica em detalhes na inovação literária e política.
“Sou feliz demais para morrer um pouco / a cada instante em que não somos mais”, escrevia a poeta.
No jornal “O Bandeirante”, sua escrita e opinião contribuía para a fermentação da opinião pública da cidade.
Quando noticiava os desmandos da administração, logo era chamada de “professora analfabeta”, “A Madame”, de que não sabia da “Lei Orgânica dos Municípios”, de que era “mal agradecida” e por aí vai.
Com humor, deixou um jogral: “A luz quem deu foi dona Cesp / A água dona Sabesp”.
Dulce contribuiu com a vida democrática da cidade. Sua mídia, o jornal. Sua idéia, trazer luz aos atos de qualquer governo obscuro.
O encontro com sua trajetória nos faz refletir sobre o que queremos para nossa cidade, vizinhos, amigos e familiares.
E sobre o resgate histórico, há um garimpo fantástico do jovem professor Carlos Eduardo, um dos responsáveis pela realização de saraus e exposições sobre a vida e obra de Dulce Guimarães, que divulgou o rico acervo pessoal da escritora e curador de alguns manuscritos originais.
A Caixa Postal 131 era a de Dulce e nesta semana, do Dia dos Professores, estendemos a homenagem a todos os educadores.

Rafael Ap. F. Almeida, advogado

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