Centenário da Igreja Matriz

A arquitetura da cidade é um patrimônio cultural a ser preservado. Há prédios, praças e espaços públicos que devem ter manutenção constante e políticas públicas direcionadas a este fim.
Há alguns prédios históricos na cidade, como a centenária “Escola Jacyra”, o Mercado Municipal, a Ação Católica e a antiga Prefeitura. A “Casa do Padre”, a primeira Cadeia atrás da Igreja e várias casas de taipa na região central foram demolidas.
Neste 2020, o prédio da Igreja Matriz Nossa Senhora da Conceição, completa seu centenário. Na torre central consta a inscrição A.D. MCMXX (1920). Anno Domini (A.D.) é uma expressão em latim que significa “ano do Senhor”.
Por muito tempo, a Igreja Matriz foi o maior prédio da cidade, assim como em qualquer outra cidade colonizada pelo catolicismo.
Depois houve a construção de outras estruturas altas, como a torre da caixa d’água, o prédio da casa do Coronel Virgílio Lírio e o hotel.
Consta que a torre central de 30 metros já estava pronta em 1920, mas no Livro Tombo a data de entrega e consagração do altar mor e interior da Igreja, datam de 1926.
A saga da construção começou em 1915, quando o Conego Humberto Vitor dos Santos, declarou a necessidade urgente de se reconstruir a Matriz devido ao estado lastimável em que se encontrava o edifício.
Consta ainda no Livro Tombo que “o trabalho a ser feito é grande e penoso não só pela situação dos paroquianos, mas também pelas dificuldades de transporte e de achar materiais”.
Depois de várias reuniões constituiu-se uma Comissão e o resultado não foi apenas uma nova igreja, mas um monumento artístico, que teve pinturas do italiano Ernesto Thomazi e ajuda de seu irmão, João Thomazi, também pintor de mérito.
Na torre da Matriz há um conjunto de sinos enormes, que produz quatro diferentes acordes e três relógios em números romanos, com diâmetro de um metro e meio, ostentando pêndulos gigantescos.
A porta central da Igreja, com entalhes na madeira, é outra obra de arte. Internamente, o sólido e bem colocado piso ainda resiste ao tempo.
Há algumas fotografias antigas, que deveriam fazer parte do Museu da Imagem da cidade, onde aparece a primeira Igreja de duas torres e outras que mostram a atual Igreja em construção.
Em 1927, quando a famosa expedição da Comissão Geológica e Geográfica do Estado de São Paulo, percorreu a cidade, fez questão de registrar o prédio da Matriz, quando a praça ainda era cercada.
Na década de 30, uma forte tempestade causou o deslocamento de uma grande cruz de ferro que havia na torre central, derrubou vários muros de casas e ainda prejudicou a lavoura.
Na Revolução de 32, as tropas federais de Getúlio Var-gas, serviram-se da torre, como ponto de observação, para prevenir ataques aéreos.
Já teve até espetáculos de acrobatas que amarraram uma corda de aço nesta torre e subiram com moto.
E para comemorar o Centenário da Igreja Matriz, foi criado um álbum colaborativo de fotografias antigas e recentes, no grupo Freguesia Velha Museu da Imagem. Confere lá no facebook.

Rafael Ap. F. Almeida, advogado

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