Num passado não tão distante o município de Capão Bonito era alvo de várias matérias jornalísticas que expunham o drama dos altos índices da taxa de mortalidade infantil dentro no município. Por mais de uma vez emissoras de televisão e jornais de grande circulação estiveram na cidade para fazer matérias em que mostravam que a cidade tinha os piores índices entre os municípios do Estado de São Paulo, o mais desenvolvido do país.
As mortes frequentes de recém nascidos apontavam para índices que eram comparados com o de países africanos bem menos desenvolvidos que o Brasil. Reportagens entrevistavam médicos, autoridades e tinham como cenário de fundo as covas dos bebês no cemitério São João Batista.
Felizmente nos últimos anos estes números caíram e depois de um trabalho árduo feito por uma gestão técnica na Secretaria Municipal de Saúde os números que antes envergonhavam agora são alvo de elogios.
Os números que apontavam uma taxa de mortalidade infantil de 28,69 em 2001, no segundo mandato do então prefeito Roberto Tamura, podem chegar 4,04 em 2019 na gestão do atual prefeito Marco Citadini.
Os números referentes a 2019 estão sendo finalizados pelo Ministério da Saúde, mas levantamentos extraoficiais do Departamento Regional de Saúde apontam para um índice que pode ser o menor da história do município. Em 2019 morreram 4 recém nascidos de Capão Bonito, todos estes óbitos ocorreram fora da cidade após transferência para UTIs Neonatais da região, no ano de 2001 por exemplo, o número de mortes foi de 27 ou seja 2,25 óbitos por mês. Segundo dados do próprio Ministério da Saúde, a taxa de mortalidade infantil do município tem se estabilizado nos últimos anos com índices sempre menores do que a média do Estado, inclusive com Capão Bonito colaborando para a diminuição dos índices da região.
Se comparado as taxas do começo deste século nitidamente a cidade conseguiu resultados muito expressivos.
Entre 2001 e 2004 período do segundo mandato do então prefeito Roberto Tamura, o índice de mortalidade infantil no município foi em média de 20,26 por mil nascidos vivos. Este número começou a cair nas gestões seguintes com média de 17,59 no governo Junior Tallarico de 2005 a 2008 e 14,62 no governo Júlio Fernando de 2009 a 2012, mas a grande queda está por acontecer com os números atuais.
Nos três primeiros anos da atual gestão o índice de mortalidade infantil tem atingido números menores de dois dígitos e isto proporcionou uma média de 8,38 entre 2017 a 2019.
Se comparados com os números do começo deste século entre 2001 a 2004 os índices de mortalidade infantil caiu quase 2,5 vezes sendo menor do que o atingido 15 anos depois.
A secretária municipal de Saúde, Ana Fernanda Lima, afirma que estes números refletem o trabalho que tem sido feito na atenção básica no município que vai desde o aumento do número de agentes comunitários de Saúde e de médicos contratados através de concursos públicos, até mesmo a construção e abertura de novas unidades básicas de saúde em vários bairros do município que possibilitaram a aberturas de novas equipes de ESF (Estratégia de Saúde da Família).
“O trabalho desde o início foi feito de forma técnica, o prefeito nos deu total liberdade para atuação dos profissionais da Saúde sem que ocorresse nenhum tipo de interferência política. Mesmo num momento de crise econômica do país tivemos apoio para implantar ações de saúde pública importantes como a contratação de mais de 50 Agentes Comunitários de Saúde. Os resultados da implantação de uma gestão com ações técnicas estão sendo colhidos agora”, disse a secretária de Saúde.
Outro fator importante que contribuiu para melhoria do índice foi o maior apoio dado para a Santa Casa local que com isso pôde implantar melhorias na maternidade que atende gestantes de Capão Bonito e de municípios vizinhos proporcionando maior segurança para os profissionais médicos que atuam na maternidade e menor risco as gestantes e seus filhos.
“Nos últimos anos tivemos um ótimo relacionamento com a prefeitura e isto auxiliou muito na melhoria das condições do nosso hospital. O resultado desta parceria se espelha nos bons números que tivemos, por exemplo, na nossa maternidade”, disse o provedor da Santa Casa.
Segundo a secretária de Saúde, de cidade que era tema de reportagens e de discussão na Secretaria Estadual de Saúde, o município de Capão Bonito passou a ser exemplo de boa gestão e de uma política pública de Saúde que deveria ser seguida por outras cidades do Estado. “Deixamos de ser um tema negativo e passamos a ser uma referência de boa gestão em Saúde. A Secretaria Estadual e o próprio Ministério da Saúde tem citado Ca-pão Bonito como sendo uma cidade a ser copiada”, disse Ana Fernanda Lima.









