Consciência Negra

O sangue e suor dos negros escravizados no Brasil, o último país a abolir o sistema escravagista, está implicado na história e na cultura.
Em 1798, a população escravizada representava 48,7% do total populacional, conforme estudos de Lilia Schwarcz no “O espetáculo das raças; cientistas, instituições e questão racial no Brasil”.
O surgimento de comunidades na região de Capão Bonito, Ribeirão Grande, Guapiara e Apaí, está umbilicalmente ligada aos escravizados, já que foram estes que habitavam as Minas do Paranapanema e bateavam os cascalhos dos ribeirões, no árduo trabalho das faisqueiras de ouro.
Os diversos Encanados, estrutura arqueológica preservada no município de Ribeirão Grande, em trechos do Rio das Almas, indica os grandes esforços de movimentação de pedras para construção de muros de arrimo para desviar o rio e facilitar a colheita do ouro.
Historiadores descrevem que nas Minas do Paranapanema, seja no Arraial Velho e Freguesia Velha, havia o capitão-mor Luiz Lopes de Carvalho com seus escravos, um entusiasta da exploração das faisqueiras.
Em 1728, foi nomeado como provedor dos quintos nas Minas de Paranapanema, João Coelho Duarte, natural de Portugal, que viera das Minas Gerais com grande escravaria, sendo a sua patente passada pelo governador de São Paulo, Cadeira Pimentel, no próprio Arraial de Nossa Senhora da Conceição.
Outra citação na história sobre os escravizados, consta na famosa vinda do governador Cadeira Pimentel às Minas, em 1728, pois nessa oportunidade estabeleceu o imposto real, tomando-se por base os 940 escravos que ali habitavam.
Em 1735, o governador de São Paulo, Antonio Luiz de Tavora, autorizou a mudança da Superintendência das minas de Paranapanema para Apiaí, vindo assim o arraial da Conceição do Paranapanema a entrar em franco declínio.
O nascimento dos escravizados na cidade de Capão Bonito, a partir de 1840, passaram a ser batizados pela Igreja em livro próprio, inclusive estamos com um projeto para iniciar a transcrição desse livro.
Um dos pontos, é tentar entender qual era a relação destes escravizados nascidos entre 1840-1873 com a sociedade local, já que as Minas de Paranapanema estavam exauridas, encontrando-se apenas faiscadores e a Paróquia estava em processo de transferência para outra localidade.
Em uma das certidões de batismo que tivemos acesso, consta que haviam padrinhos de batismo, indicando certa solidariedade parental. Esta é do nascimento de Francisca, nascida em 1.873:
“Aos 30 de novembro de 1873, nesta Matriz de Nossa Senhora da Conceição de Capão Bonito, baptizei e pus os santos óleos em Francisca de 3 meses, filha de Antonio Joaquim de Li-ma e de Joaquina Maria Francisca. Padrinhos João de Lima e Silva e sua mulher Francisca Joaquina Cardozo. Padre desta parochia Frei Ponciano de Montaldo Capuchinho, vigário”.

Rafael Ap. F. Almeida, advogado

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