Mesmo com a suspensão do fim do benefício fiscala insumos agrícolas, agricultores mantiveram o protesto
A Cooperativa Agrícola de Capão Bonito, atualmente presidida pelo agricultor Emilio Kenji Okamura, com apoio dos agricultores capão-bonitenses, organizaram na manhã desta última quinta-feira, dia 7, uma manifestação por meio de um “tratoraço” em forma de protesto contra o aumento do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) no Estado de São Paulo.
Com mais de 200 tratores e máquinas agrícolas, eles protestaram contra o ajuste do ICMS mesmo após o governador João Doria (PSDB) suspender o fim do benefício fiscal a insumos agrícolas às vésperas do manifesto. “Temos ainda que avançar em outros setores. Ficarão mais caros a energia, itens de hortifru e leite”, explicou Kenji Okamura.
O evento foi realizado na rua dos Eucaliptos, às margens da SP-127, na entrada de Capão Bonito, de forma pacífica e não causou congestionamento na rodovia de jurisdição estadual. O vereador e agricultor Alan Senciatti (PSD), afirmou que o objetivo foi de tentar sensibilizar o governador João Doria para reverter a cobrança em outros itens além dos insumos agropecuários, pois, segundo ele, “o aumento será repassado diretamente para o consumidor final e afetará também itens da cesta básica”.
O deputado estadual Frederico D’Avila (PSL) também participou do protesto em Capão Bonito, e prometeu apoiar uma nova manifestação caso o governador não retroceda diante da nova medida tributária que valerá a partir do próximo dia 15 de janeiro. “Vamos liderar junto aos produtores rurais uma nova manifestação com caminhões e tratores, mas agora em frente à casa do governador João Doria”, garantiu.
Para o agricultor Leandro Egli a suspensão do ajuste de insumos não é suficiente e defende a revogação definitiva do decreto governamental relacionada ao ICMS.
O gerente da CACB, Luiz Carlos Mariotto, disse que os produtores “sentem-se traídos” pelo governo e por deputados estaduais da frente parlamentar da Agricultora na Alesp que aprovaram a permissão para o ajuste no ICMS, que depende ainda de decretos do governador para validar as novas regras tributárias.
A Cooperativa Agrícola é uma das maiores recolhedoras de ICMS de Capão Bonito, mesmo seus cooperados produzindo grãos em áreas significativamente menores com relação às destinadas ao cultivo de eucalipto.
O ICMS é a segunda maior fonte de receita dos cofres da Prefeitura de Capão Bonito. Em 2020, a Fazenda Estadual destinou ao município R$ 27 milhões, correspondentes à 25% da arrecadação de ICMS na cidade, mais os valores agregados.









