A Prefeitura Municipal de Capão Bonito, através da Secretaria da Saúde, publicou nesta semana um vídeo produzido e pago com dinheiro público, apontando supostos problemas de sucateamento na frota de ambulâncias e outros veículos da Saúde.
Oficialmente, a Prefeitura acusa a gestão anterior de possível abandono da frota, citando inclusive reparos simples e de baixo custo, como o serviço de troca de óleo, que teria levado a inutilização de alguns veículos do setor.
Ouvido pela reportagem d’O Expresso, Marco Citadini diz que enfrentará a acusação com uma representação contra os responsáveis pelo vídeo junto ao Ministério Público e à Polícia Civil.
Para o ex-prefeito, a atual gestão municipal deveria gastar tempo e recursos com investimentos diretos em serviços de Saúde e não na produção de vídeo que falta com a verdade, com dados parciais e “que mais parece ser uma extensão de campanha política”.
Citadini afirmou ainda que deixou em caixa, R$ 27 milhões, e que se realmente houver o problema, a gestão atual pode facilmente criar as devidas soluções pois tem recurso disponível. O ex-prefeito também desafia o responsável pelas políticas públicas de Saúde, que parece ter sido deixadas sob o comando do vice-prefeito Roberto Tamura, e possivelmente, sem o devido acompanhamento de perto do legítimo chefe do Executivo Municipal, Julio Fernando, a abrir sindicância para apuração interna da respectiva acusação, já que, segundo Citadini, seria obrigatório a abertura de procedimento para responsabilização e cobrança e não a realização de vídeo “fake news maldoso e politiqueiro”.
“Espero que ocorra a sindicância e que nos deem o devido espaço para defesa. Atacar desta forma é um ato de covardia”, falou.
Para a Constituição Federal, a publicidade feita pela Administração Pública tem de ser limitada a informar serviços e obras em andamento, sendo proibido a utilização de canais oficiais de Comunicação para a promoção pessoal ou perseguição de adversários políticos.
Além disso, o vídeo publicado pela Prefeitura não explica com dados específicos quais veículos estariam em más condições e os motivos que levaram ao problema, e ainda optaram por uma acusação genérica e sem indicar as devidas providências, e o que pode assim, ter desobedecido a lei no que diz respeito aos conteúdos de informação.
O ex-prefeito ainda lembrou que houve transição e que o novo governo foi informado de como estavam os veículos e inclusive muitos deles devem ser leiloados.
Citadini disse ainda que deixou comprado duas novas ambulâncias para a entrega no início deste ano e mais um veículo para transporte de pacientes modelo SPIN.
O ex-prefeito também salientou que quando assumiu a prefeitura ela não tinha ambulância UTI e que se existe agora, foi graças ao seu governo. Além disso, ele explicou que muitos dos problemas de socorro no município estão relacionados a não adesão ao SAMU que em 2009 a prefeitura se negou a aderir e “até hoje o município sofre com esta situação”.
“Praticamente todas as cidades da região tem SAMU, menos Capão Bonito. Isso ocorreu porque não houve adesão no governo que me antecedeu e até hoje sofremos com isso. No ano passado inclusive perdemos de ganhar uma ambulância UTI nova do Estado por não fazermos parte do SAMU regional”, disse o ex-prefeito.
De acordo com a ex-secretária de Saúde, Ana Fernanda Lima, ao longo dos últimos quatro anos foram adquiridos, com recursos de emendas federais e estaduais, os seguintes veículos: 4 vans, 3 pick up, 4 veículos tipo Gol, 1 Spin, 1 Voyage, 4 ambulâncias furgoneta e 4 ambulância tipo furgão. “Até dezembro de 2020 os serviços de transporte eram feitos sem muitas reclamações. Acho que os atuais responsáveis pelo setor estão tendo dificuldades de relacionamento com a população e com os servidores, agora tentam buscar uma justificativa. Carros do setor de Saúde são usados com muita frequência e geram grande desgaste. Além disso, os vereadores da Legislatura passada, Matheus Francatto e Fio Londrina, me questionaram sobre o tema quando me convocaram em 2020 e acho que ficou tudo bem esclarecido naquela oportunidade, tanto que os próprios vereadores não falaram mais na-da”, disse Ana Fernanda Lima.
Para a ex-secretária, a nova gestão tem que pensar em governar e deixar a eleição para o passado, pois o setor de Saúde exige rapidez, decisão e conhecimento do sistema. “Se ficasse falando de como recebi a Saúde ficaríamos perdendo tempo e fazendo jogo político. As pessoas precisam governar olhando pra frente. Falaram muita coisa sem sentido até mesmo contra nossa UTI Covid. Tem que trabalhar”, disse Ana Fernanda.









