No limite

O combate à pandemia de Coronavírus no Brasil tem gerado a cada dia uma polêmica diferente. Isso deve-se muito ao fato de que não há no país um comando central para enfrentamento da pandemia, já que o presidente da República com sua atitude negacionista sobre a doença não inspira nenhuma confiança no combate ao Covid-19.
Um exemplo da falta de cuidado com o enfrentamento foram as trocas de ministros da Saúde ocorridas no atual governo, sem falar das seguidas declarações contra vacinas e contra as recomendações da ciência para o enfrentamento da pandemia dadas pelo presidente. Este comportamento de falta de liderança para enfrentamento tem causado muitas dificuldades para os municípios, pois estes acabam tendo que combater a doença, mas não podem optar por fazer mudanças de regras mesmo que estas sejam baseadas nas características de suas cidades.
Em cidades como Capão Bonito no final do ano passado e nas vésperas das compras natalinas os gestores entenderam que seria mais prudente abrir por mais tempo o comércio do que restringir o seu funcionamento como era determinação do governo estadual.
Mas não são todos os gestores que têm coragem de ir para o enfrentamento ou mesmo que se colocam na linha de frente do combate a pandemia, muitos preferem a segurança das portas fechadas dos gabinetes do que a defesa da população nas ruas.
Esta falta de comando nacional e local reflete em temas que afetam a vida econômica de cidades como as da região.
Fechar mais uma vez o comércio não essencial é mais uma penalização para um setor que com certeza não é o grande responsável pela transmissão do vírus, ou alguém acha que uma loja colabora mais para a propagação do Coronavírus do que um churrasco, as praias lotadas e tantas outras festas e aglomerações que estão ocorrendo no país?
Não nos esqueçamos que o governo estadual, apesar de se mostrar bem intencionado, determinou o primeiro fechamento em São Paulo em meados de março de 2020 e desde essa época várias atividades comerciais estão tendo que enfrentar um abre e fecha que afeta a vida financeira de qualquer empresa, seja ela grande, média ou pequena. Está claro para nós que este fechamento em muitas cidades ocorreu antes do tempo, ou antes da verdadeira chegada do vírus. Além disso, a divisão por fases deveria ter sido feita desde o começo da pandemia e com divisão por microrregiões e não em regiões extensas como é a de Sorocaba. Agora resta-nos torcer para que as tão propaladas vacinas cheguem o mais rápido possível para todos e sem fura-filas, pois toda a população está praticamente no seu limite.

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