Sobrecarga materna e da classe D, aumento no tempo de convivência de pais e mães com os filhos e regressão no comportamento das crianças são alguns dados que mudaram com o isolamento social
A Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal, com apoio da Porticus América Latina, acaba de lançar o estudo inédito “Primeiríssima Infância – Interações na Pandemia: Comportamentos de pais e cuidadores de crianças de 0 a 3 anos em tempos de Covid-19”, que busca entender e mapear as relações de pais e responsáveis com as crianças de 0 a 3 anos em todo o Brasil durante a pandemia.
De acordo com os dados da nova pesquisa, 27% dos cuidadores relataram que a criança apresentou algum tipo de regressão no comportamento. Além disso, houve um aumento na porcentagem de cuidadores que relataram que a criança utilizou videogames, celulares e tablets durante a pandemia, contra 16% antes do isolamento.
As crianças da classe D são as que mais realizam atividades sozinhas (64%). Destas, 25% assistem desenhos e filmes na TV, celular ou computador e 39% brincam sozinhas. Elas também brincam menos com os adultos (13%), enquanto nas outras classes esses números variam de 29% a 33%, em comparação às mesmas atividades.
Nos segmentos de classe e educação mais elevados, o confinamento pode ter possibilitado maior tempo de convivência dos pais com as crianças durante a pandemia, em relação àqueles de situação intermediária. Segundo a pesquisa, 51% da classe AB1 teve mais tempo e boas oportunidades de convivência e 52% da classe D relatou que não houve alteração no tempo de convivência.
Considerando a totalidade de entrevistados, sem separação por classe social, 51% relataram ter mais tempo de convívio com a criança durante a pandemia. Destes, 39% tiveram mais tempo e boas oportunidades e 12% tiveram mais tempo, mas dificuldades para conciliar com outras obrigações. No recorte, as mães têm mais dificuldades para conciliar a convivência com a criança com outras obrigações (Pais 11% e Mães 21%). Para 33% dos pais e 39% das mães, não houve alteração no tempo com a criança.
Com base nos dados, é possível verificar aspectos nos quais a relação entre pais/cuidadores e crianças podem ser fortalecidas ou precisam ser reorientadas. Participaram da pesquisa 1036 homens e mulheres de todo o Brasil, entre 16 e 65 anos, que representam as classes A, B, C e D.
Colaboração: Francisco Lino – Jornalista e membro da Associação de Jornalistas da Educação (Jeduca)









