Banquinho de boteco

A Pandemia pegou todos de calça curta, como dizia meu saudoso avô quando era surpreendido por algo fora da normalidade. O país parou e as autoridades constituídas sambaram na tentativa de encontrar soluções rápidas que evitassem a disseminação do vírus.

O maior problema de ordem pública foi a contaminação ideológica e política nas tomadas de decisão. Na ponta de cima, várias trapalhadas prejudicaram a antecipação da imunização e ainda não ofereceram a devida retaguarda aos Estados e Municípios nas ações de enfrentamento.

Percebendo a derrapagem do Governo Federal, o governador e presidenciável João Doria, criou, antes de tudo, um cenário para anunciar todas as suas ações no combate à crise sanitária. Virou rotina a coletiva de imprensa no horário de almoço no Palácio dos Bandeirantes!

O tucano saiu na frente na vacinação e soube conduzir a parceria entre Butantan e o farmacêutica chinesa que fornece os insumos para a produção da Coronavac, porém, escorregou no plano controverso para o funcionamento da atividade econômica.

Não havia um diálogo aberto e amplo com os municípios e isso prejudicou diretamente os pequenos estabelecimentos do interior paulista. Será que o problema foi o barzinho que vende meia dúzia de doce de amendoim (gibi) e tubaína? E o barbeiro que atende um por vez?

Esses segmentos não foram o vilão desta triste história e mais uma vez, nos serve de lição: precisamos analisar com mais cuidado a escolha do voto. Governar também é ter sensibilidade e sabedoria na tomada de decisões, pois são milhões de pessoas envolvidas num simples ato administrativo.

Graças ao avanço da vacinação, estamos enxergando uma luz de esperança e com ela, a retomada das atividades econômicas. Que saudade de ouvir as boas histórias num banquinho de boteco!

Francisco Lino é jornalista.

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