A prefeitura de Capão Bonito é a que menos repassa recursos entre as cidades da região para os hospitais ou Santas Casas locais, o levantamento foi feito através de portais de transparência municipais e também com informações de gestores municipais de cidades da região.
O município de Capão Bonito repassa R$ 390.000,00 para todo o atendimento do Pronto Socorro e também mais R$ 31.347,00 para apoio à maternidade que realiza cerca de 80 partos por mês. No total, a prefeitura capão-bonitense repassa R$ 421.347,00 para todo atendimento no PS e maternidade.
Essa semana a prefeitura de Itararé fez o decreto de retirada de intervenção na Santa Casa local que já acontecia há 17 anos. Para auxiliar a Santa Casa itarareense que presta serviços similares ao de Capão Bonito, a prefeitura repassa mensalmente R$ 1.200.000,00 (um milhão e duzentos mil reais) por mês para a gestão do hospital.
O também município vizinho de São Miguel Arcanjo repassa por mês para o Hospital Nipo Brasileiro que funciona no município quase R$ 1.100.000,00 (um milhão e cem mil reais) para serviços de atendimento do Pronto Socorro. A prefeitura de Buri, também gasta mais de R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais) por mês para manter o atendimento do seu Pronto Atendimento municipal, há mais de três décadas que a cidade já não conta com uma Santa Casa.
A prefeitura de Guapiara gastava mais de R$1.500.000,00, (um milhão e quinhentos mil reais) por mês com o hospital municipal Joaquim Raimundo Gomes, que foi fechado nesta gestão. Enquanto Capão Bonito tem uma população de 46.337, Itararé está com 44.438, São Miguel Arcanjo tem 32.039, Buri conta com 20.250 e Guapiara tem 17.071 habitantes.
Para pessoas ligadas à área da saúde, a prefeitura de Capão Bonito está asfixiando e praticamente inviabilizando a administração da Santa Casa com um repasse muito menor do que é realizado por cidades vizinhas e isto está acarretando em sérios problemas para a entidade, inclusive, com servidores, já que o sindicato da categoria está cobrando vários benefícios que não estariam sendo cumpridos, como atraso na entrega de cestas básicas.
Para especialistas em gestão de saúde, as dificuldades que estão sendo impostas para a Santa Casa de Capão Bonito só seriam minimizadas se um novo acordo para atendimento do Pronto Socorro, que é obrigação do município, fosse feito com valores compatíveis com os gastos que ocorrem. Entre os hospitais das cidades citadas nesta matéria, o único que tem UTI é a Santa Casa de Capão Bonito, aumentando ainda mais a necessidade de revisão do atual auxílio.
“Cidades como Itararé, São Miguel Arcanjo e Buri investem mais do que o triplo de Capão Bonito em seus hospitais ou unidades de saúde. São não houver um aumento considerável, a Santa Casa de Capão Bonito vai continuar com dificuldades para atender demandas básicas, como cesta básica dos funcionários. Se não houver um aumento dos valores repassados por parte da prefeitura o nosso único hospital pode quebrar”, disse um especialista em saúde pública ouvido pelo O Expresso.









