Tapando o sol com a peneira

Algumas vezes a classe política se supera e complica ainda mais as coisas que já estão meio enroladas.

Há alguns dias, um vereador de Capão Bonito, que é defensor declarado do prefeito, irritado com as reclamações da população sobre a superlotação do Pronto Socorro da Santa Casa, disse numa entrevista que muitas pessoas vão procurar atendimento no PS sem necessidade.

Disse ainda o político situacionista que muitas pessoas vão ao hospital para tirar berne, ou por uma simples dor de cabeça, e com isso indicou que o problema da superlotação da Santa Casa local seria causado por pessoas que não entendem que um Pronto Socorro é para atendimento de urgência e emergência.

Para piorar, o vereador disse que as informações dadas na entrevista eram fruto de uma participação sua em reunião do setor de Saúde do município, portanto, suas declarações eram praticamente oficiais.

O que o político não explicou ou não soube informar, é se os casos de dengue que estão afetando toda a região e também estão atingindo Capão Bonito não seria um dos motivos do aumento de demanda na saúde pública, também não explicou que se há um aumento de procura da população pelo hospital local não seria por estar ocorrendo falhas no atendimento nos postos de saúde.

Muitas cidades da região para enfrentar a epidemia de dengue, que tem atacado todos os municípios do país, estão criando unidades sentinelas e outras ações para que o cidadão não tenha que recorrer aos prontos socorros e com isso causem superlotação nestas unidades.

Mas em Capão Bonito parece que a prefeitura quer esconder os casos de dengue e suas ações para enfrentar a doença, talvez por este comportamento relapso e tentativa de deixar claro o volume enorme de casos de dengue na cidade é que esteja ocorrendo o acúmulo de pacientes à procura da Santa Casa.

Ao invés de culpar o povo pelo fato de a população necessitar de atendimento de saúde, o político situacionista deveria fiscalizar como anda o atendimento no município e também se os projetos da atenção básica de saúde estão sendo bem executados.

Mas ao invés de procurar os verdadeiros culpados pela superlotação é mais fácil para os políticos, que agem como autênticos puxa-sacos de seus chefes, culpar o povo.

Se há superlotação numa unidade de saúde não precisa ter um cérebro brilhante para diagnosticar que estão correndo falhas em algum lugar, mas assumir erros ou fiscalizar os atos dos aliados são palavras que não estão no dicionário de certos políticos.

E é por comportamentos como estes, em que políticos preferem tapar o sol com a peneira, que a população tem que ouvir a besteira de que as pessoas devem se tratar na casa ou que vão ao Pronto Socorro para tirar berne.

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