Na semana passada este jornal noticiou que o primeiro ato da nova mesa diretora da Câmara de Capão Bonito foi a convocação de todos os vereadores para votar um decreto legislativo que concedia uma licença ao prefeito sem que este tivesse prejuízo financeiro.
Ou seja, com menos de 10 dias úteis de governo, o chefe do Executivo, que assumiu um novo mandato no dia 1º de janeiro, obteve do Legislativo a autorização para se afastar do cargo para um descanso.
Logicamente que o decreto da mesa diretora da Câmara foi solicitado pelo prefeito e foi preparado após o envio de algum ofício da assessoria do chefe do Executivo elencando os motivos para seu afastamento com poucos dias de mandato, mas mesmo isto não tendo saído da ideia dos vereadores que compõem a mesa da Câmara, mostra que os legisladores não atentaram para alguns fatos que transformam este ato numa imoralidade.
Primeiro, convocar todos os vereadores para votar unicamente um projeto que beneficia uma única pessoa; segundo, em 20 dezembro de 2024 o atual prefeito, que foi reeleito, recebeu em dinheiro as férias que tinha direito referentes ao ano de 2024; terceiro, porque conceder a licença sem prejuízo de vencimentos e, por último, como justificar uma licença se o mandato começou no dia 1º de janeiro.
Na ânsia de agradar o chefe do Executivo os vereadores perderam uma grande oportunidade de mostrar para a população que a nova legislatura estaria começando de uma forma bem diferente da que se findou no dia 31 de dezembro, mas infelizmente parece que a toada será a mesma, com alguns poucos vereadores tentando manter-se na defesa da população e cumprir o verdadeiro papel que cabe ao Legislativo, que é de fiscalizar, mas com a grande maioria continuando a dizer sempre amém ao que o prefeito determina.
Com a aprovação da licença na primeira semana de mandato, os vereadores até podem ter dado legalidade à licença para o prefeito tirar férias, mas com certeza cometeram um ato imoral ao não se atentarem ao que foi relatado por este jornal na semana passada e também nas linhas acima, onde foram descritas boa parte das contestações da opinião pública local a este ato vergonhoso.
Junto a tudo o que foi relatado aqui, é importante lembrar que um dos primeiros atos do prefeito no seu novo mandato foi publicar um decreto de contenção de gastos, inclusive, com restrições a pagamento de benefícios a servidores.
A licença autorizada pela Câmara e aceita pelo prefeito pode até ser legal, mas com certeza é imoral!









