O ano de 2025 marca cinco anos desde que a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou pandemia global devido à Covid-19. Para Alexandre Cunha, infectologista do Hospital Sírio-Libanês, a crise sanitária deixou um legado profundo, cujos impactos ainda são sentidos. “Os cinco anos de pandemia foram extremamente desafiadores, especialmente para quem esteve na linha de frente. Perdemos muitas vidas, desde pacientes idosos até jovens saudáveis. A devastação foi muito maior do que poderíamos imaginar.”
Infelizmente, o vírus ainda circula, e somente em 2025, foram confirmados mais de 100 mil casos de Covid-19, segundo o Painel Coronavírus do Ministério da Saúde. “A redução da testagem e da vigilância epidemiológica fez com que a Covid-19 perdesse visibilidade, mas não sua relevância”, alerta o especialista.
Apesar dos desafios, Alexandre destaca os avanços significativos na medicina, especialmente no campo das terapias intensivas e da pesquisa sobre vacinas. “Tivemos ganhos importantes, como o aprimoramento de técnicas de ventilação mecânica, além de avanços em vacinas de RNA, que representam um grande potencial para o futuro da imunização. Esses ganhos, no entanto, não apagam as perdas sofridas”, reflete.
Outro impacto duradouro da pandemia foi a disseminação de fake news sobre saúde, que comprometeu campanhas de imunização e contribuiu para o retorno de doenças preveníveis, como sarampo e febre amarela. “Tivemos que lutar contra um exército de desinformação, principalmente em relação a tratamentos pseudocientíficos e, mais tarde, às vacinas. As consequências desse movimento ainda serão sentidas por muitos anos.”