É inegável que nas últimas décadas o Brasil sofreu uma mudança na qualidade de vida e também de muitos outros aspectos da vida social, embora muito ainda precise ser feito para que tenhamos um país desenvolvido e com qualidade de vida alta, se comparados os números atuais com dados do século passado é notória a evolução.
Este reflexo do que aconteceu em todo o país também ocorreu em Capão Bonito e nas cidades da região. A reportagem de O Expresso procurou nos arquivos do IBGE dados em Censos realizados pelo instituto no passado, para que pudéssemos ter uma noção maior das mudanças que ocorreram na nossa região nos últimos anos.
A equipe de O Expresso fez um levamento dos números do Censo realizado no ano de 1940, ou seja, há 85 anos. Este levantamento inclui a população de Capão Bonito e também de Guapiara, já que na época o município vizinho era um distrito pertencente a Capão Bonito político e administrativamente. O trabalho feito pelo IBGE dividia os dados em dois distritos, distrito de Capão Bonito e distrito de Guapiara.
Em 1940 Capão Bonito tinha 15.701 habitantes e Guapiara 7.194, o que totalizava nos dois distritos a população de 22.895 residentes. Dos moradores de Capão Bonito, 13.138 ou 83,7%, estavam na zona rural e 2.563 ou 16,3%, moravam na zona urbana, em Guapiara eram 6.641 ou 92,32% do total de pessoas localizadas na zona rural e 553 ou 7,68% da população morando na zona urbana.
Somente os dados referentes à população das duas localidades são separados, na sequência do trabalho feito pelo IBGE os demais dados colocam a população de Capão Bonito e Guapiara como única.
Um dos dados que mais chamou a atenção da equipe de O Expresso diz respeito a instrução da população e neste quesito os números acabam não fechando numericamente. Segundo o levantamento, 62% dos moradores na época não sabiam nem ler e nem escrever, totalizando o número de 14.217 moradores analfabetos nas duas cidades, já os que sabiam ler e escrever eram 4.703 pessoas, o que dava 20,5% da população.
Há também no levantamento dados sobre a religiosidade dos capão-bonitenses e guapiarenses, que apontava que entre os 22.895 moradores locais, 22.084 ou 96,5% eram católicos e 802 ou 3,5%, eram membros de outras religiões e somente 9 pessoas nas duas cidades não tinha religião.
Outro dado interessante e que mostra a evolução da qualidade de vida no país, é o número de moradores com mais de 60 anos de idade, que em 1940 totaliza 891 pessoas ou 3,89% entre todos os habitantes das duas cidades, já no último Censo o percentual de pessoas com mais de 60 anos passa de 16% da população, no caso de Capão Bonito atingindo 7.595 habitantes dos cerca de 46 mil habitantes.
Uma informação interessante também diz respeito a população jovem de 0 a 19 anos em 1940, que apontou um número de 12.310 moradores, o que correspondia por 53,7% da população, atualmente estes percentuais são bem menores.
Com relação a educação, por exemplo, Capão Bonito e Guapiara tinham em 1940, 25 professores e 13 escolas, sendo que eram 1.137 alunos matriculados. Por fim, outros dados levantados pelo IBGE era de que haviam 52 veículos a motor e 58 veículos movidos a força animal, e também haviam 8.198 pessoas casadas e 20 pessoas que eram divorciadas, separadas ou desquitadas. Pelos números do Censo de 1940 fica claro que as cidades evoluíram e progrediram muito, o desafio agora é continuar com esse desenvolvimento com maior distribuição de renda e de oportunidades.









