No último dia 24 de agosto, o Brasil celebrou o Dia do Artista, data dedicada a valorizar e reconhecer a importância daqueles que se expressam por meio da música, da pintura, do teatro e de tantas outras linguagens artísticas.
Em Capão Bonito, esse reconhecimento ganha ainda mais sentido com iniciativas que fortalecem a presença da arte no cotidiano escolar. Um exemplo é o projeto “Carpe Diem”, grupo de artes cênicas da Escola PEI Padre Arlindo Vieira, que vem se destacando pela criatividade e pelo envolvimento dos estudantes. O nome representa em sua forma literal ‘Aproveite o momento – viva intensamente’, e para a aluna Thais Roberta, do 2° ano do Ensino Médio, foi escolhido exatamente pelo significado forte que carrega. “É uma palavra que sempre reforçamos em nossos ensaios, que vai muito além de só uma apresentação, é um momento único”.
Através da iniciativa, os estudantes têm ganhado mais confiança e melhoraram a sua forma de se conectar com as pessoas. “As artes cênicas me ajudam muito a colocar para fora sentimentos que, muitas vezes, eu não consigo expressar com palavras. É como se, no palco, eu pudesse ser eu mesmo sem medo do julgamento. Percebi que a arte tem o poder de unir pessoas diferentes e transformar sentimentos em algo bonito de se ver”, destacou o estudante e membro do grupo, Eduardo, também do 2° ano.
Para Evilyn Ferreira, aluna do 3º ano do ensino médio, o projeto permitiu que ela passasse por um processo de autodescoberta e autoconfiança. “Trabalhando em equipe, aprendi a importância da escuta, do respeito e da confiança. A arte nasce da união e da troca verdadeira entre pessoas. Essa experiência não só fortaleceu minha expressão artística, mas também me fez crescer como pessoa”.
A professora Camila Josefina, arte-educadora, artista, bailarina, pedagoga, formada em Dança pela UNICAMP, em pedagogia Waldorf pela faculdade Rudolf Steiner e pós-graduada em História da Arte pela USJT, é a diretora artística do grupo “Carpe Diem” e corresponsável pelo projeto.
Segundo a professora, a atuação incentiva os alunos a transmitir histórias, ideias e emoções por meio da linguagem falada, da linguagem corporal e das expressões faciais. “Eles praticam técnicas vocais como altura, tom e ritmo, bem como sinais não verbais como gestos e movimentos. Essa habilidade vai além da performance: o trabalho em grupo no teatro frequentemente exige que os alunos articulem ideias, façam perguntas e colaborem. Essas experiências naturalmente aprimoram suas habilidades de comunicação verbal e escrita, à medida que os alunos escrevem roteiros, diálogos e respostas criativas ao que interpretam e presenciam”.
A escola, um ambiente de aprendizado contínuo, é uma oportunidade para que o aluno vivencie diversos caminhos de protagonismo, autonomia e autoconhecimento. “Os integrantes do grupo estudam, pesquisam, criam, compõem, elaboram, planejam e produzem desde a ideia inicial, roteiro, coreografia, maquiagem, sonoplastia, iluminação, cenário e elementos cênicos, figurinos e adereços, arte e designer, a divulgação e mídias sociais. É um processo longo e minucioso. Durante esses meses, é notável perceber o progresso e evolução de cada participante”, enfatizou a diretora artística do grupo.
Para a docente, a linguagem teatral é capaz de abraçar as emoções humanas em diferentes dimensões. “Por isso, é indiscutível a importância de estimular projetos artísticos em escolas públicas, principalmente diante da escassez dessas iniciativas no município, onde a maioria das oportunidades ainda parte de instituições privadas. Um dos grandes ideais do nosso projeto é a inclusão social. Temos, por exemplo, uma aluna surda, e por isso realizamos a apresentação em Libras. Todos os estudantes aprendem as músicas com o apoio da professora e intérprete Lucilene Araújo.”, explicou.
Camila Josefina reforça o quanto ama a arte, e expressa a alegria de fazer parte do grupo e acompanhar de perto a evolução dos estudantes. O entusiasmo também se reflete nos próprios estudantes, que afirmam querer dar continuidade ao projeto. “A nossa convivência através do Carpe Diem nos aproximou muito mais e percebi o quanto eles são incríveis. Se tivermos a oportunidade, continuaremos sem dúvidas”, contou Pedro, de 16 anos.
E a jornada segue. O próximo passo do grupo já tem data marcada: no dia 30 de novembro, o “Carpe Diem” fará uma apresentação no Festival de Arte da Acamar. “Seguiremos ensaiando e produzindo nosso espetáculo Wicked: A história não contada, que será apresentado em sua versão completa e adaptada em novembro. Aguardem!”, concluiu a diretora.









