Informações que deveriam ser usadas

Na semana passada este jornal publicou uma matéria de destaque trazendo números do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas) sobre o Censo de 2022, fazendo a divulgação de dados sobre sexo, raça e idade da população de municípios da região.

Os dados levantados pelo instituto mostram que as cidades da região têm algumas diferenças com o restante do Brasil, principalmente as menores cidades apresentam mais homens habitantes do que mulheres, diferentemente do que ocorre no território nacional, onde as mulheres superam os homens em mais de 5 milhões de habitantes.

Ao esmiuçar os dados do Censo foi possível ver também que nossas cidades têm majoritariamente pessoas declaradas como sendo brancas, existem casos, como o do município de Ribeirão Grande, onde mais de 70% da população são brancas, sendo que no país predomina a população que se declara parda.

Mas um dos dados mais importantes que devem ser levados em conta, é sobre a idade da população dos moradores que habitam os nossos municípios.

Se compararmos os números levantados no Censo podemos ver que há um nítido envelhecimento da população nos municípios do Sudoeste e em alguns casos os moradores com mais de 60 anos já superam em números absolutos a presença de crianças e adolescentes até 14 anos.

Isto é um sinal de que a população está vivendo mais, que nascem menos crianças e um indicativo de que o poder público deve rever alguns de seus projetos. Logicamente que ainda há espaço para criação de vagas para creches, mas é preciso rever algumas ações, pois o número de matrículas nas escolas tem diminuído ano após ano, isso quer dizer que já vemos escolas com salas vazias ou ociosas em alguns períodos.

Outro dado que deve ser analisado com a mudança de perfil da população é que ao termos mais pessoas idosas residindo em nossas cidades, passa a ser necessário serem feitas ações e obras levando em conta a elevação da faixa etária da população.

Seria muito importante que nossos gestores e políticos analisassem de vez em quando os dados existentes sobre os seus respectivos municípios no site do IBGE, quem sabe assim poderiam ser feitas obras e projetos mais assertivos, mas, infelizmente, parece que a grande maioria da classe política não é adepta de procurar dados e informações em institutos de pesquisa, pois preferem fazer obras pensando mais nos benefícios políticos do que num trabalho baseado em estudos e dados estatísticos.

É por essa forma de agir que vemos muitos elefantes brancos espalhados pelos municípios brasileiros e com isso muitos recursos públicos sendo desperdiçados.

Mas enquanto nossos gestores não entram na linha, cabe a nós como imprensa trazer a público os trabalhos feitos pelos nossos pesquisadores, desta forma consideramos que como veículo de informação estamos contribuindo para um futuro mais promissor de nossas cidades. Quem sabe no futuro, informações como as que são divulgadas pelo O Expresso sejam usadas por gestores municipais mais iluminados.

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