Em Apiaí, onde a tradição do barro molda gerações, um novo projeto promete aproximar ainda mais a comunidade do universo da cerâmica artesanal. O ateliê Arte Looze, composto por cinco artesãos, produziu um documentário que mostra, passo a passo, todo o processo da produção da argila à criação das peças, desde a retirada da matéria-prima até o momento em que o artesanato chega às mãos do cliente.
A ideia surgiu a partir de um comportamento cada vez mais comum entre visitantes do ateliê: o encantamento pela cerâmica, mas também a falta de compreensão sobre o trabalho envolvido na produção. Muitos acreditam que basta coletar qualquer tipo de barro para que, em poucos dias, as peças estejam prontas. A realidade, porém, é bem diferente e muito mais complexa.
“Percebemos que muitas pessoas não têm noção de quantas etapas existem antes da peça estar pronta”, explica Jaqueline Jenifer Looze da Silva, roteirista, produtora e uma das responsáveis pela captação e edição do documentário. “Alguns visitantes imaginam que é só pegar o barro, moldar e esperar secar. Mas existe todo um processo delicado e técnico por trás, que precisa ser mostrado”.
O projeto foi produzido através da Politica Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, do Ministério da Cultura, do Governo Federal, com o apoio da Prefeitura Municipal de Apiaí e acompanha a rotina dos artesãos em diferentes pontos do sítio onde o trabalho é realizado. A primeira etapa é o beneficiamento da argila, que envolve a retirada do barro no barreiro, o transporte até o terreiro, a secagem natural ao sol e a diminuição dos torrões. Só depois disso a argila é triturada, peneirada e transformada na massa ideal para a modelagem.
Já dentro do ateliê, as cenas mostram a formação das peças, a secagem em ponto de couro e ponto de osso, e os cuidados finais antes que tudo siga para a queima; realizada em um terceiro espaço, com o forno próprio. Só após esse processo, que as peças recebem os últimos detalhes e estão prontas para serem comercializadas.
Para Jaqueline, registrar essas etapas é essencial para a preservação da cultura local.
“Quando surgiu a oportunidade de fazer o documentário, entendemos na hora que ele seria um aliado para transmitir esse conhecimento”, conta. “Nas oficinas, por exemplo, muitas vezes precisamos explicar o processo completo, mas nem sempre há tempo de mostrar tudo na prática. Com o vídeo, fica muito mais fácil visualizar e compreender”.
Ela destaca ainda que algumas vivências realizadas no ateliê são mais curtas e não incluem a visita ao sítio, o que gerava dúvidas entre os participantes.
“Nesses casos, o documentário resolve o problema. Em cerca de 18 minutos, a pessoa consegue conhecer tudo, da argila bruta até a peça queimada”, afirma.
Mais do que registrar um ofício, o documentário pretende democratizar o acesso ao conhecimento. Disponível na internet, ele permite que pessoas de qualquer lugar, especialmente aquelas que não conseguem visitar o ateliê, entendam o valor da cerâmica artesanal e reconheçam o papel cultural que esse trabalho desempenha no município.
A equipe envolvida na produção inclui Diná Cristina Looze Miranda Silva como documentarista principal; Aparecido da Silva Medeiro, Loide de Oliveira Rosa Lima e Moacir Conceição de Lima como documentaristas secundários; além de Jaqueline na roteirização, produção, captação e edição. O projeto conta ainda com o tradutor e intérprete Julio Corali.
Como ação social, o grupo realizará uma oficina de modelagem com duração de três horas para idosos que frequentam o Centro do Idoso de Apiaí, na rua Espírito Santo, bairro Cordeirópolis. As peças produzidas durante a atividade serão finalizadas no ateliê e entregues posteriormente no mesmo local. O documentário também será lançado ali, aproximando ainda mais a comunidade desse saber tradicional.
Segundo Jaqueline, essa troca é fundamental. “A cultura só se mantém viva quando é compartilhada. Mostrar como a cerâmica é feita é também uma forma de fortalecer nossa identidade e valorizar o trabalho dos artesãos da região”.
O público já pode assistir ao documentário no canal do YouTube do ateliê, @Artelooze, pelo link: https://www.youtube.com/watch?v=uHp0mBgxOi0 . Já as peças produzidas pelo grupo podem ser vistas e encomendadas pelas redes sociais do Instagram e Facebook @arte.looze , onde o ateliê compartilha novidades, bastidores e obras exclusivas.












