Na sexta-feira da semana passada, numa sessão extraordinária convocada pelo prefeito de Capão Bonito, os vereadores se reuniram para votar um tema de grande importância para o presente e para o futuro do município. Um empréstimo de 25 milhões de reais para realização de várias obras que são objetivos políticos da atual administração.
Dentre as obras propostas como beneficiadas dos recursos do empréstimo com a Caixa Econômica Federal estão a construção de um novo centro de convivência, que será construído no atual campo do Esporte Clube Capão Bonito, a construção de um parque no Jardim da Amizade, a conclusão da escola da região central, que já foi licitada em 2022, contrapartidas para a conclusão da ampliação da Santa Casa e para o Centro de Hemodiálise, entre outras.
O ponto central deste empréstimo está em enviar para discussão de um tema tão relevante para uma sessão extraordinária e quando o Poder Legislativo está em recesso, numa clara falta de respeito com o poder constituído exatamente para fiscalizar os atos do Executivo e também numa flagrante tentativa de ocultar da opinião pública um tema tão relevante.
Chama atenção também, o fato de que a prefeitura de Capão Bonito está fazendo um financiamento num momento em que as taxas para contratação de empréstimos são as mais altas da história do país e lembrando que há pouco mais de 2 anos a prefeitura recebeu mais de 24 milhões de reais numa única tacada de recolhimento por uma empresa de um imposto de transmissão de bens imóveis.
Em praticamente 2 anos a prefeitura torrou os 24 milhões pagos pela empresa e ainda agora está propondo financiar mais 25 milhões, o que mostra que as finanças da prefeitura deixaram de ser bem equilibradas para caminharem para um endividamento preocupante.
Apesar de a Câmara de Capão Bonito ter votado quase que majoritariamente a favor da aprovação do empréstimo, foi louvável a sugestão e tentativa do único vereador da oposição, Daan Cabeleireiro, do MDB, que propôs através de uma emenda que o empréstimo fosse pago pela atual gestão, tendo assim como prazo final para sua quitação dezembro de 2028.
A iniciativa de Daan obviamente foi rejeitada pelos demais membros do Legislativo, que estão muito mais preocupados com obras e em tirar dividendos eleitorais dessas obras ao invés de se colocarem em vigilância para evitar que as finanças da prefeitura sejam comprometidas para anos futuros.
Fazer obras é sempre importante, mas como justificar que o município irá pagar juros, taxas e impostos para fazer um centro de convivência que tem um custo previsto de 12 milhões de reais, ou seja, quase a metade de tudo do que vai ser financiado. Isso mostra que os nossos nobres edis realmente não analisaram bem este projeto de empréstimo, outro gasto previsto é sobre a construção da escola da região central, que estranhamente foi licitada em 2022 por mais de 12 milhões de reais.
Como nossos vereadores poderiam explicar que uma obra licitada e que teve ordem de serviço dada, pagaram mais de 2 milhões de reais para a empresa do Amapá e que está abandonada desde 2023 pode ter recursos destinados deste empréstimo?
Lamentavelmente, o único vereador que faz este tipo de questionamento é o vereador estrela solitária, o único da oposição, os outros confundem a função de legislador com a de um assessor do prefeito.
Enquanto a maioria dos vereadores se omitem, o futuro do município pode estar sendo comprometido, mas isso não importa para a maioria dos nossos edis, que literalmente falam que não estão nem aí com quem será o futuro prefeito e quem vai pagar a conta desse empréstimo, o importante para eles é que terão obras para chamarem de suas. E a conta que outro pague e o futuro que se exploda!









