No final do último ano, mais precisamente na véspera do Natal, o prefeito de Capão Bonito, seus assessores e aliados anunciaram com todo ânimo o projeto de construção de uma área de convivência no antigo campo de futebol do Esporte Clube Capão Bonito.
É bom lembrar que o campo que teve seu controle retomado pela prefeitura em 2022, após ser derrubado o comodato que dava ao time o uso da área desde a sua fundação na década de 60 do século passado. Essa retomada da área foi feita de forma traumática, pois a prefeitura alegou para tal medida um laudo da defesa civil que colocava o muro do campo como em risco de desabar, embora diretores do E.C.C.B foram orientados a não investir no estádio por aliados do prefeito que ele tinha um projeto grande para o local, portanto, a questão do laudo da defesa civil, foi uma forma técnica de retomar a área, até porque o muro caiu quando o imóvel estava em posse da prefeitura.
Ninguém tem nada contra o fato de a prefeitura querer fazer um centro de convivência, pois a população será beneficiada com essa área para lazer e comércio, embora fazer uma obra dessas com valores de milhões e com recursos de financiamento num momento em que os juros no país estão estratosféricos é mais do que preocupante, chega a ser uma loucura financeira.
Mas o que se cobra neste caso é pelo menos uma maior discussão sobre a preservação do que resta de patrimônio histórico e arquitetônico na cidade, o estádio situado na rua Bernardino de Campos, hoje região central da cidade, teve seu início como praça esportiva há mais de 100 anos, quando o local ficava longe do centro urbano.
São muitas as notícias de jornais do passado e também relatos de cidadãos enaltecendo os feitos dos nossos esportistas do passado, times memoráveis, jogos emocionantes lembranças de times como o Independência, o Elite, o Ypiranga que chegou a jogar campeonato da Federação, e Esporte e tantos outras agremiações. Sem falar dos muitos craques que pisaram no gramado deste campo que não vamos cita-los para não cometermos alguma injustiça esquecendo algum dos nossos ídolos do passado.
Uma obra como essa, que vai aniquilar a história do nosso esporte, destruir o que resta do patrimônio arquitetônico, mereceria uma discussão ampla com toda a comunidade para ver se não era o caso de uma restauração do estádio ou que este belo projeto apresentado pela prefeitura não pudesse ser feito em outro local.
Triste que numa democracia não se dê oportunidade para que uma obra de tamanho impacto seja discutida por todos, que possam ser ouvidas as várias versões existentes sobre essa mudança impactante, mas pelo andar da carruagem quem poderia fazer algo, no caso a Câmara Municipal, mais uma vez se omitiu, apesar da única exceção que é o vereador Daan Cabeleireiro e a obra vai ser feita para felicidade do prefeito e seus aliados e para a tristeza da história esportiva local que será sepultada.









