A prefeitura de Capão Bonito fechou o ano de 2025 com uma arrecadação menor do que o previsto em seu orçamento e também com um gasto maior do que estava inicialmente proposto em seu orçamento.
Desta forma, o município de Capão Bonito teve um déficit orçamentário de mais de 8 milhões de reais e com o fechamento dos números referentes ao ano de 2025 é possível confirmar uma tese da oposição de que a Câmara de Capão Bonito aprovou vários projetos de suplementação orçamentária de forma equivocada.
O orçamento previsto para o ano de 2025 pela prefeitura e aprovado pela Câmara, indicava que o município iria arrecadar 289 milhões de reais, mas ao fim do exercício fiscal conseguiu uma arrecadação de R$ 284.487.061,12, portanto, uma arrecadação R$ 4.512.938,88 menor do que estava previsto na LOA (Lei Orçamentária Anual).
Em contrapartida, as despesas que estavam fixadas inicialmente com o valor de R$ 282.710.000,00, mas a prefeitura fechou o ano com um gasto de R$ 291.222.361,52, ou seja, a prefeitura gastou R$ 8.512.361,52 a mais do que estava previsto para o ano de 2025.
Ao fechar o ano fiscal, o município de Capão Bonito gastou R$ 6.735.300,40 a mais do que arrecadou, isso sem falar nos famosos restos a pagar que foram empurrados para serem pagos em 2026.
Com a divulgação dos números finais que estão disponíveis no Portal Transparência da própria prefeitura de Capão Bonito, foi possível desmistificar uma estratégia usada pela atual administração durante todo o ano de 2025 com o Legislativo local.
Ao longo de 2025 foram aprovados inúmeros projetos de suplementação orçamentária pela Câmara sempre com a justificativa de que estaria ocorrendo a mudança por excesso de arrecadação, o que ao fechar das contas anuais não se comprovou, já que a prefeitura previa uma receita de 289 milhões de reais e arrecadou pouco mais de 284 milhões de reais. Com esta estratégia, a prefeitura conseguiu autorização da Casa de Leis que possibilitou que as despesas do município em 2025 fossem estimadas em R$ 315.617.670,89, o que daria um total de gastos de R$ 32.907.670,89 a maior do que estava previsto na Lei Orçamentária de 2025.
Para um especialista ouvido pelo O Expresso, ao ter aprovado várias alterações na Lei Orçamentária sempre com a justificativa de que havia excesso de arrecadação, a Câmara local auxiliou o Executivo, na teoria, a praticamente legitimar uma pedalada fiscal, pois autorizou o município a ampliar a sua despesa estimada para o exercício sem que houvesse efetivamente comprovação de excesso de arrecadação, fato que acabou se constatando no final do ano quando o Portal Transparência no site da prefeitura apresentou os números finais de 2025.
Os números apresentados nesta reportagem não devem representar muitos problemas para o Executivo, já que na Câmara Municipal o único vereador que fiscaliza os atos do Executivo é o vereador Daan Cabeleireiro, do MDB, e com somente um edil não será possível investigar se os valores deixados para trás, como restos a pagar, não serão diluídos no decorrer de 2026 para evitar uma fiscalização por parte dos órgãos fiscalizadores. Fica somente a questão moral, já que a prefeitura dá sinais de desiquilíbrio financeiro e com informações sendo passadas pela Câmara que não condizem com a realidade dos números.










