O que é saúde mental e por que ela importa

Maria Goretti da Silva, Psicóloga – CRP 06/149116; SerMentes – Espaço que transforma inquietação em ação consciente, saúde mental de janeiro a janeiro

 

Quando falamos em saúde, a maioria das pessoas ainda pensa apenas no corpo. Exames em dia, pressão controlada, alimentação equilibrada. Tudo isso é importante, mas incompleto. A saúde mental faz parte desse cuidado e influencia diretamente a forma como pensamos, sentimos, nos relacionamos e lidamos com os desafios da vida.

Ter saúde mental não significa estar feliz o tempo todo ou não sentir tristeza, medo ou ansiedade. Emoções fazem parte da experiência humana. Saúde mental está muito mais ligada à capacidade de enfrentar as situações da vida com equilíbrio, reconhecendo limites, buscando apoio quando necessário e conseguindo se adaptar às mudanças.

Todos nós, em algum momento, passamos por fases mais difíceis: excesso de trabalho, perdas, conflitos familiares, incertezas financeiras, mudanças inesperadas. Nessas horas, a saúde mental funciona como um “eixo interno” que nos ajuda a atravessar os desafios sem adoecer emocionalmente.

O problema é que, culturalmente, aprendemos a ignorar os sinais emocionais. Muitas pessoas só procuram ajuda quando o sofrimento já está intenso, quando o corpo começa a dar sinais ou quando a vida parece ter perdido o sentido. Cuidar da saúde mental antes de chegar a esse ponto é uma forma de prevenção, assim como fazemos check-ups físicos regularmente.

Outro ponto importante é entender que saúde mental não diz respeito apenas a quem tem um diagnóstico psicológico. Ela diz respeito a todos nós. Assim como qualquer pessoa pode passar por um período de sofrimento emocional sem que isso signifique fraqueza ou falta de controle.

Falar sobre saúde mental é falar sobre qualidade de vida, relações mais saudáveis, decisões mais conscientes e maior bem-estar no dia a dia. É reconhecer que emoções precisam ser escutadas, não silenciadas.

Cuidar da saúde mental pode começar com atitudes simples: observar como você tem se sentido, respeitar seus limites, buscar momentos de pausa, fortalecer vínculos e, quando necessário, procurar ajuda profissional. Pedir ajuda não é sinal de fraqueza, é sinal de responsabilidade consigo mesmo.

Falar sobre saúde mental é falar sobre cuidado contínuo. É um compromisso com a própria vida e com a forma como escolhemos viver.

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