É comum com o fim do recesso dos poderes legislativos das cidades da região, a volta aos trabalhos por parte dos vereadores às suas respectivas Câmaras ser um pouco agitada e sempre com alguma polêmica.
Muitas vezes porque após o recesso, os edis voltam com um grande número de reivindicações de seus eleitores, até porque no período de férias os políticos acabam tendo maior contato com a população e acabam represando as demandas trazidas para serem expostas logo na primeira sessão pós recesso.
Na nossa região as coisas começaram quentes na vizinha cidade de Guapiara, com os vereadores tendo como uma das primeiras pautas de 2026, o reajuste salarial para a classe política local.
A temperatura política de Guapiara não tem sido das mais amenas neste mandato do prefeito Matheus Freitas, que teve início em janeiro de 2025 com a posse de um novo grupo de vereadores.
Isso porque diferentemente de outras cidades, a bancada da oposição, eleita em 2024, mostrou que tem caráter e está cumprindo à risca seu papel de fiscalizar os atos do Executivo. Esse comportamento da bancada oposicionista guapiarense, inclusive, deveria servir de exemplo para cidades vizinhas, onde muitos dos políticos eleitos esqueceram-se de seus compromissos e de suas obrigações com a população e foram cooptados pelos respectivos executivos.
Neste começo de trabalho em 2026, de forma firme e clara, a bancada da oposição de Guapiara, liderada pelos vereadores Mauricio Kerche e Flávio Menk, se levantou contra a proposta da mesa diretora da Câmara, de conceder reajuste salarial para a classe política da cidade, neste caso para prefeito, vice-prefeito, presidente da Câmara e vereadores.
Os dois vereadores que se manifestaram publicamente em vídeos e deixaram claro que não concordavam com o aumento, pois entendiam que a prefeitura, que está com inúmeras dívidas no pagamento de encargos sociais, de fornecedores e até mesmo com alguns processos tramitando na Justiça, não tem condições moral de dar um reajuste para os políticos.
Os dois vereadores salientaram que o reajuste proposto podia até ser legal, mas era imoral pela circunstância administrativa pelo qual passa a cidade.
Estão de parabéns os vereadores que se manifestaram publicamente contra o aumento, pois foram coerentes ao apontarem que este não é o momento de reajuste para a classe política, não tanto pelos valores em si, mas pelo exemplo que deve ser dado pela classe política.
Ao se manifestarem publicamente trouxeram à tona uma importante discussão sobre valores éticos que deveriam ser os princípios básicos de um homem público, mostraram que estão realmente atuando a serviço do seu município ao fiscalizarem e também ao darem exemplo mostrando que apesar das vantagens que poderiam ter com o reajuste, o mais importante era pensar na situação financeira do município.
Agiram bem os vereadores da oposição de Guapiara e que este ato sirva de exemplo para toda a classe política da região, que está precisando realmente de ações sérias e que dignifiquem a atividade política tão desgastada ultimamente.









