Ineficiência não tem ideologia

Na semana passada este semanário fez uma ampla matéria para divulgar os problemas dos últimos meses que estão ocorrendo na distribuição de medicamentos em pelo menos dois programas públicos dessa área.

O primeiro deles refere-se ao programa estadual de distribuição de medicamentos de alto custo, que é um programa que funciona há décadas no Estado de São Paulo e atende mais de duas mil pessoas em Capão Bonito.

O programa que está na esfera de atuação da Secretaria Estadual de Saúde, está tendo muitas falhas na distribuição desde o ano passado, o que faz com que pacientes de cidades da região fiquem sem seus remédios, que são essenciais em casos de tratamentos contínuos, como para pacientes transplantados e também pacientes psiquiátricos, que não podem se dar ao luxo de ficar sem o remédio um único dia sequer.

A distribuição do programa de alto custo tem ainda mais uma peculiaridade que dificulta a vida de seus usuários, pois além do preço da maioria dos medicamentos de seu rol serem caros, muitos deles só são comercializados pelos laboratórios fabricantes diretamente com órgãos públicos e com isso nem que o paciente queira, ele não consegue comprar determinado medicamento na rede de farmácias do país.

Outro caso que está gerando questionamento em Capão Bonito diz respeito aos medicamentos do Programa Farmácia Popular, que é um programa eminentemente federal e que possibilita que farmácias do município sejam credenciadas junto ao governo federal para venderem ao governo e entreguem gratuitamente para a população medicamentos que as pessoas usam diariamente para doenças crônicas, como diabetes, hipertensão e tantas outras.

Até há alguns meses, a cidade tinha quatro farmácias credenciadas para fazer esse serviço de entrega dos medicamentos para a população e depois de alguns meses receber do governo federal, alguns destes comércios até participavam do programa para que o comércio ficasse movimentado, pois efetivamente o valor pago pelo governo federal não é muito atrativo. Mas repentinamente duas unidades que participavam do programa na cidade e que atendiam grande parte da demanda, agora estão sem poder dar continuidade no programa que atende cerca de 4 mil pessoas e com isso quem está sofrendo é a população carente da cidade que fica sem onde obter esses medicamentos.

Nos dois casos fica demonstrado que independentemente da linha política e ideológica de um governo, a ineficiência não leva em conta isso.

No caso em questão, tanto o Governo do Estado, como o Federal estão falhando feio num setor que sempre funcionou razoavelmente bem. Seja de direita, centro ou esquerda, a incompetência está prejudicando a população numa área extremamente sensível.

Está na hora do governo estadual e do governo federal criarem vergonha e resolverem esse caso de incapacidade e de ineficiência.

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