Um exame de sangue desenvolvido por pesquisadores brasileiros pode representar um avanço importante no rastreamento do câncer de mama no país. Ainda em fase de testes, a tecnologia busca identificar sinais da doença por meio de biomarcadores presentes na corrente sanguínea.
A proposta é que o exame funcione como um teste rápido e acessível, ampliando o acesso ao diagnóstico, especialmente em regiões com menor cobertura de mamografia.
O estudo surge em um cenário preocupante. O câncer de mama é um dos que mais matam mulheres no Brasil, com cerca de 20 mil mortes registradas por ano, segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (Inca).
A tecnologia foi desenvolvida por pesquisadores da Faculdade de Medicina do ABC e utiliza uma abordagem conhecida como biópsia líquida. Diferentemente da mamografia — que identifica alterações por imagem — o novo exame detecta sinais moleculares associados ao desenvolvimento do tumor.
Batizado de RosalindTest, o método analisa dois biomarcadores específicos: os genes HIF-1α e GLUT1. Essas estruturas costumam apresentar alterações quando células tumorais enfrentam um ambiente de baixa oxigenação, processo chamado de hipóxia.
De acordo com os pesquisadores, essas mudanças podem ser detectadas no sangue antes mesmo de o tumor aparecer em exames de imagem. Nos estudos clínicos iniciais, o teste apresentou cerca de 95% de acurácia.
Além da precisão, a principal vantagem do exame seria a possibilidade de ampliar o rastreamento. Como depende apenas de coleta de sangue, ele poderia ser aplicado em unidades de saúde com menor infraestrutura, facilitando o acesso em áreas mais remotas.
Na prática, o teste funcionaria como uma triagem inicial. Pacientes com resultados sugestivos seriam encaminhadas com prioridade para exames complementares, como mamografia ou biópsia, aumentando as chances de diagnóstico precoce e tratamento eficaz.









