O crescimento da campanha eleitoral para deputados em Capão Bonito e região acabou expondo publicamente o rompimento entre o deputado federal do PP, Mauricio Neves, e o seu antigo padrinho político e ex-apoiador, o ex-deputado federal Guilherme Mussi.
A dupla está distante desde que Mussi saiu do PP e filiou-se ao União Brasil, sinalizando que não iria apoiar a reeleição do ex-aliado e iria auxiliar alguns candidatos a deputado federal do União Brasil que fazem parte da mesma federação partidária a nível nacional que une PP e União Brasil.
As tensões começaram a aumentar quando algumas lideranças deixaram a campanha de Mauricio Neves em cidades como Capão Bonito e passaram a apoiar candidatos a deputados indicados por Mussi. Um dos casos mais rumorosos foi do ex-vereador e ex-candidato a prefeito pelo PP, Paulo Cecap, que agora está trabalhando pela candidatura de Sirlange Manga, do União Brasil.
Um áudio vazado na região de autoria de Rafael Rodas, que é assessor de Neves, dizendo que todos os deputados apoiados por Mussi e ele próprio que havia se filiado ao União Brasil, passariam a ser comandados por Mauricio Neves após a eleição, já que o deputado foi indicado presidente da Federação entre PP e União Brasil no Estado de São Paulo, colocou ainda mais lenha na fogueira política.
Essa semana, após o ex-deputado Guilherme Mussi ver a divulgação de material de campanha de Maurício Neves com fotos suas e com citação de liberação de recursos para a cidade de Capão Bonito com mais de 1 milhão de reais para compra de um tomógrafo para a Santa Casa, Mussi soltou uma nota em suas redes sociais pedindo a retirada de circulação do material para que a população capão-bonitense não fosse induzida ao erro por um material que não corresponde a verdade.
“Venho a público esclarecer que não autorizei o uso da minha imagem em material de campanha do deputado federal Mauricio Neves. Esclareço ainda que Mauricio Neves não faz mais parte do meu grupo político. Diante disso, solicito dos responsáveis pela campanha do candidato Mauricio Neves que retirem imediatamente de circulação o material e que também não usem a conquista do tomógrafo para a Santa Casa como sendo do deputado já que estes recursos foram destinados quando eu era deputado federal e foram destinados por mim para o hospital capão-bonitense”, afirmou Guilherme Mussi.
A reportagem de O Expresso questionou a assessoria do deputado federal Mauricio Neves e recebeu uma nota da assessoria onde afirma que o material abordado é antigo e que Neves não tem nenhum interesse em aparecer ao lado do antigo aliado, dizendo que Mussi fez o comunicado para chamar a atenção. “Desejo a ele todo bem, mas bem longe de mim”, disse Mauricio Neves.
Caso do tomógrafo
O caso dos recursos para aquisição do tomógrafo para a Santa Casa de Capão Bonito sempre foi alvo de disputa entre os dois grupos políticos que atuam na cidade nesta eleição.
O ex-prefeito de Capão Bonito, Marco Citadini, confirmou à reportagem de O Expresso que os recursos para aquisição do tomógrafo foram destinados por Guilherme Mussi quando este ainda era deputado federal. “O Guilherme me informou em 2021, logo que saí da prefeitura, que iria destinar quase 10 milhões para o município. Eu lhe sugeri que destinasse recursos para a Santa Casa para aquisição de um tomógrafo que seria muito útil para o atendimento da UTI e também em caso de algumas emergências, como acidentes. O deputado Guilherme Mussi então destinou parte dos recursos para a Santa Casa fazer a aquisição. A prefeitura de Capão Bonito era contra, pois na época o secretário de Saúde Roberto Tamura defendia que o hospital alugasse o equipamento. Porém, a compra do equipamento só foi efetivada após Mussi deixar o mandato, devido a questões burocráticas e demora do governo federal, portanto, neste caso, essa conquista é de Guilherme Mussi”, esclareceu o ex-prefeito Marco Citadini.









