O Ministério da Saúde ampliou a faixa etária para vacinação contra o HPV em crianças vítimas de violência sexual. Com a nova orientação, meninos e meninas a partir dos 2 anos poderão receber a vacina quadrivalente, desde que o procedimento seja indicado após avaliação do serviço de saúde ou do profissional responsável pelo atendimento.
Até então, a imunização para esse público era recomendada somente a partir dos 9 anos. A mudança ocorre diante do aumento dos registros de violência sexual envolvendo crianças no país.
Dados do Atlas da Violência 2026, elaborado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), apontam que as notificações entre crianças de 0 a 4 anos passaram de 1.671 casos, em 2014, para 7.845, em 2024. Já entre crianças e adolescentes de 5 a 14 anos, os registros cresceram de 6.594 para 29.135 no mesmo período. Essa faixa etária representou 66% das notificações registradas em 2024.
Apesar da ampliação da vacinação, o Ministério da Saúde esclarece que a vacina contra o HPV não funciona como uma medida de prevenção após a exposição ao vírus. Ou seja, ela não é capaz de eliminar uma infecção que já tenha sido adquirida.
A imunização tem como objetivo proteger contra os tipos de HPV aos quais a criança ainda não foi exposta. A aplicação da vacina antes dos 9 anos também não substitui a vacinação prevista no calendário de rotina. Por isso, a criança deverá receber novamente as doses indicadas para sua faixa etária no período recomendado.









