Envelhecimento da população movimenta cerca de R$ 1,8 trilhão por ano e leva empr
O Brasil está envelhecendo, e essa mudança já começa a transformar o mercado. Com mais pessoas acima dos 50 anos, empresas de diferentes setores precisam se adaptar a um público que ganha cada vez mais espaço no consumo e exige produtos, serviços e formas de atendimento que acompanhem suas necessidades.
Conhecida como economia da longevidade, essa movimentação já representa cerca de R$ 1,8 trilhão por ano no país e deve dobrar nas próximas duas décadas. Hoje, o Brasil tem aproximadamente 59 milhões de pessoas com mais de 50 anos. Esse grupo responde por 24% dos gastos de consumo das famílias brasileiras, participação que pode chegar a 35% até 2044.
A mudança vai além das oportunidades de negócio. Bancos, empresas de saúde, varejistas, seguradoras e companhias de tecnologia também precisam repensar a maneira como se relacionam com esse público, que está cada vez mais conectado e ativo. Ao mesmo tempo, as empresas enfrentam o desafio de manter profissionais mais experientes no mercado de trabalho e promover a convivência entre diferentes gerações.
Um levantamento do Procon-SP, divulgado no fim de 2025, ajuda a mostrar um dos obstáculos dessa transformação. Segundo a pesquisa, 51% das pessoas com mais de 60 anos já desistiram de contratar um serviço ou concluir uma compra porque a empresa oferecia atendimento apenas por aplicativo, apesar de 92% dos entrevistados afirmarem ter acesso à internet e utilizar aplicativos.
Para Marco Aurélio Ferrari, diretor de Relações Institucionais da Conselheiros Trends Innovation e ex-presidente do Observatório Social do Brasil em São Paulo, o envelhecimento da população exige que as empresas deixem de lado modelos pensados principalmente para os mais jovens.
“As empresas ainda operam, em muitos casos, com modelos desenhados para uma população mais jovem. A mudança demográfica exige adaptações na experiência do cliente, nos canais digitais, nos serviços e também na gestão de pessoas”, afirma.
A transformação também chega ao ambiente de trabalho. Com as pessoas permanecendo mais tempo na ativa, cresce a necessidade de oferecer oportunidades de atualização profissional, valorizar a experiência e criar condições para que profissionais de diferentes idades trabalhem juntos.
“As carreiras estão ficando mais longas e a convivência entre gerações se torna mais intensa dentro das empresas. Isso exige capacitação contínua, políticas de diversidade etária e modelos mais flexíveis de retenção e produtividade”, diz Ferrari.
Outro sinal dessa mudança está no empreendedorismo. Dados do Sebrae apontam que o Brasil já tem 4,5 milhões de empreendedores com mais de 60 anos, um aumento de 58% em relação ao registrado há dez anos.
O poder de compra desse público também chama a atenção. Pessoas com mais de 60 anos apresentam gastos acima da média nacional em categorias como supermercados, farmácias, produtos para casa e eletrônicos, ampliando o interesse das empresas em desenvolver ofertas voltadas a consumidores maduros.
Entre os setores que precisam acelerar as adaptações estão os de serviços financeiros e saúde. Segundo Ferrari, ainda há espaço para desenvolver soluções mais adequadas a uma população que vive mais e tem novas necessidades ao longo da vida.
“Produtos financeiros ainda são pouco adaptados a ciclos de vida mais longos, enquanto parte dos serviços de saúde segue fragmentada para atender uma população que viverá mais tempo e terá novas demandas de consumo e bem-estar”, afirma.
Com o avanço da longevidade, atender bem o público maduro deixa de ser apenas uma oportunidade comercial e passa a ser uma questão estratégica. As empresas que conseguirem compreender melhor esse consumidor, facilitar seu acesso aos serviços e valorizar profissionais experientes terão mais condições de acompanhar as mudanças no perfil da população brasileira.
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