A crise econômica não tem afetado somente os bolsos dos capão-bonitenses. Ela impulsiona também e se reflete nas estatísticas do setor de segurança pública na cidade.
No mês de abril, os registros principalmente de furtos se intensificaram em vários bairros da zona urbana da cidade.
Há relatos de todos os tipos, até com ladrões entrando em residências mesmo com os proprietários no local, se alimentando e por último fugindo com os objetos furtados sem serem notados.
Os objetos furtados vão desde botijões de gás, bicicletas, notebooks e outros utensílios do-mésticos que são facilmente repassados em esquemas criminosos com a conivência de pessoas que atuam como receptadores.
Conforme informações da Polícia Militar, em um dos casos registrados recentemente, um au-tor de furto foi preso a partir de imagens de câmeras de segurança.
Na maioria dos relatos das vítimas, a indignação é a mesma e ninguém está mais tranquilo ao sair e até mesmo ficar em casa. Cercas elétricas, cães, muros altos, sistemas de câmeras, nada parece inibir os criminosos. Muitos têm utilizado as redes sociais para desabafar.
“A sensação que se tem é de que estamos cada vez mais reféns. Em casa, é preciso revezar a partir de agora, quando um sai o outro fica para não ter novas surpresas”, afirmou um morador que teve a casa furtada na Vila Bela Vista.
Em cidades vizinhas a situação não é muito diferente. Na semana passada, em um sítio no bairro dos Costas em Buri um casal de idosos de 74 e 75 anos foi roubado.
O roubo foi executado por cinco homens e três deles foram mortos durante a troca de tiros com a PM em uma estrada vicinal em Itapeva.
Aliás, o clima de insegurança vem preocupando Buri nos últimos anos. Somente neste ano já foram realizadas mais de 30 prisões de pessoas envolvidas com tráfico, roubo e furtos. Quinze foram por flagrante.
Conforme levantamento realizado pelo O Expresso com base nas estatísticas da Secretaria Estadual de Segurança, neste primeiro trimestre de 2016 foram regis-tradas 122 ocorrências entre roubos, roubo de veículos, furtos e furto de veículos. Os dados de abril devem ser divulgados nos próximos dias.
O que se pode notar é que eles aumentaram principalmente a partir de março. Só de furtos foram 96 nos três primeiros meses, ou seja, todo dia tem registro de algum tipo de furto em alguma parte da cidade.
Capão Bonito tem estatísticas criminais como homicídios controladas há vários anos, mas a redução de roubos e furtos sempre foi um grande desafio das autoridades policiais.
Comparando com os dados de 2015, verifica-se que a situação no ano passado foi até pior.
Nos três primeiros meses do ano passado foram 142 furtos, fora roubos e furtos de veículos. O ano fechou com 447 furtos, 75 roubos, 8 roubos de veículos e 35 furtos de veículos.
A tendência é de que a cidade registre novamente mais de 400 furtos também neste ano, o que dá uma triste média de 1,095 ocorrência/dia.
Segundo o capitão da Polícia Militar de Capão Bonito, Wagner Luciano de Oliveira, a PM tem intensificado o patrulhamento ostensivo na cidade e isso vem se refletindo em prisões em flagrantes, muitas delas logo após as ocorrências.
O delegado da Polícia Civil, dr. Aulo Rafael Fernandes, também tem intensificado com sua equipe os trabalhos de investigação e vários criminosos foram tirados de circulação nas últimas semanas e muitos casos foram esclarecidos, apesar do pequeno efetivo que conta a Civil no município.
A grande parte dos furtos continua tendo ligação com o tráfico de drogas.
Só Capão Bonito e Itapeva
já lotariam um CDP
Uma outra estatística chocante é o número de prisões efetuadas. Só nos três primeiros meses deste ano foram 50 em Capão Bonito. Trinta delas em flagrante. Em 2015, a polícia capão-bonitense efetuou 223 prisões; 155 foram em flagrante.
Se forem computados dados da cidade de Itapeva, onde está localizada a sede da Delegacia Seccional responsável pelos distritos policiais da região Sudoeste, os números ainda ficam mais assustadores.
Em 2015, Itapeva prendeu 537 pessoas e neste ano o número já chegou a 129.
Se considerarmos os números de prisões em Itapeva e Capão Bonito, só essas cidades seriam suficientes para lotarem um CDP (Centro de Detenção Provisória).
Aliás, se as coisas continuarem neste ritmo, num breve espaço de tempo a região poderá enfrentar uma crise carcerária por superlotação.










