Imigrantes contribuíram com o desenvolvimento de Capão Bonito

Ao logo dos 160 anos de fundação da cidade de Capão Bonito, muitos povos chegaram ao município e contribuíram para a formação cultural do povo capão-bonitense e, principalmente, para o desenvolvimento social e econômico. As heranças desses imigrantes podem ser observadas em diversas áreas como comércio, agricultura e nas atividades culturais.
Um dos primeiros povos a chegarem foram os japoneses ainda no início do século XX, vindos da Ásia no famoso navio Kasato Maru. Essas famílias que se estabeleceram no município contribuíram com o aprimoramento da atividade agrícola e do comércio, com destaque para os Sukessada, Sasaki, Fujivara, Kakuda, Kashima, Ikeda, Kakihara, Kadoo, Kinoshita e Kitahara.
Com um número significativo de descendentes e imigrantes, as famílias se uniram para organizar um clube social e esportivo e, desta forma, manter seus costumes e cultura dentro do solo gameleiro. Fundaram a Associação Cultural e Esportiva de Capão Bonito, o conhecido Kai-Kan, no início da década de 50 e devido a questões imigratórias e diplomáticas, o primeiro presidente foi o saudoso jornalista José Carlos Tallarico, o único que não possui descendência oriental na galeria de presidentes.
Nesse espaço, as famílias japonesas formaram o Baseball Clube e mantiveram comemorações orientais como o Undokai, o Taikô e o próprio Karaokê.
Os japoneses também se destacaram no comércio capão-bonitense. Até hoje, preservamos estabelecimentos como as Casas Kitahara e Kinoshita na rua General Carneiro. Tivemos ainda a participação de famílias no comércio como Kacuta, Saito e Kudo.
Foi também graças aos aplicados agricultores japoneses que Capão Bonito se transformou numa cidade referência na produtividade de grãos como soja, milho e trigo. Agregando-se a isso, temos ainda a Cooperativa Agrícola de Capão Bonito, que integra produtores das famílias Nishi, Sukessada, Okamura, Kashima entre outras.
Os imigrantes italianos também deixaram sua marca registrada na cultura e no progresso de Capão Bonito.
Temos como pioneiras as famílias Oliva, Venturelli, Mata-razzo, Pucci, Blóes, Dante, Se-verguini, Luccas e as mais recentes como Tuzzi, Cacciacarro, Tallarico, Conti, Enei, Espósito, Saoncella, Citadini, Olivati, Pas-coalini, Peroni e Bugni.
Deixaram ainda heranças na música com o saudoso maestro Edmundo Cacciacarro e principalmente no comércio. Ainda hoje, temos os bares da família Tuzzi, a pizzaria da família Espósito e a cidade também sente saudades de Giuseppe Conti, o popular Pi Barbeiro.
Na culinária, até hoje a “pasta” (macarronada) de domingo é o prato favorito da maioria das famílias capão-bonitenses.
A descendência italiana talvez seja a mais forte em Capão Bonito. Calcula-se que a cidade tenha mais de 300 famílias de origem italiana. Há uma peculiaridade nessa imigração, pois os italianos que foram para outras regiões do Estado e do país, trabalhavam em lavouras e nas indústrias que se formavam no Brasil, principalmente em São Paulo, e em Capão Bonito, os descendentes praticamente se adequaram a cultura caipira, em alguns casos, até mesmo abandonando costumes tradicionais do país de origem.
Os italianos também marcaram presença na história política capão-bonitense. Um dos primeiros prefeitos italianos foi Estevan Dante, que governou a cidade em duas ocasiões: de 1917-1918 e de 1927-1929. Em seguida, tivemos vários prefeitos de origem italiana como João Venturelli, Egídio Enei, Antônio Enei, Raul Venturelli, José Carlos Tallarico Junior e o atual Marco Citadini.
Os imigrantes de origem árabe também atuaram no comércio local e nas atividades de mascates como as famílias Adedo, Safadi, Ozi e Bechara Saba.
Os descendentes de árabes também tiveram papel importante na vida política do município, com destaque para o ex-prefeito Abib Elias Daniel, um dos mais populares da história. Os portugueses também têm atuação importante na evolução do município de Capão Bonito. Seus descendentes que aqui chegaram, trabalharam no comércio através de famílias como Galvão, Nunes, Damião e Faia.
A cidade conta ainda com forte influência da colônia hebraica, representadas pelas famílias Batista da Silveira, Mendes, Kurtz Camargo, entre outras.
A curiosidade dos judeus capão-bonitenses está na religiosidade. A maior parte das famílias hebraicas abandonaram o judaísmo e adotaram como religião o cristianismo. Algo quase que impossível entre os judeus tradicionais.

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