Itaú fecha sua agência em Capão Bonito

O Itaú-Unibanco, que funcionava em Capão Bonito desde 2012 fechou sua agência.
A unidade atendia também clientes dos municípios de Ribeirão Grande, Buri, Guapiara, Apiaí entre outros.
No começo de março os clientes foram informados de que a agência fecharia e o atendimento seria realizado até o dia 31 de março.
Durante todo mês de março o movimento de pessoas migrando contas para outros bancos foi intenso. Na semana passada a redação do O Expresso recebeu ligações de várias pessoas reclamando da logística de atendimento do banco e a forma conturbada do fechamento.
“Na fase de fechamento da agência houve muitas filas e reclamações, principalmente de aposentados que recebiam pela agência e tiveram que migrar para outros bancos. Há um prazo para adequação legal para que os aposentados e pensionistas recebam os salários pelos novos bancos e muitos terão que se deslocar até a agência de Itapeva até que as contas sejam regularizadas. Em resumo, o banco não pensou em nenhum momento numa logística de fechamento e nem nos clientes”, reclamaram pessoas que enfrentavam filas no interior da agência.
“Esse padrão de atendimento, qualidade e tecnologia do Itaú só funciona nos comerciais, a realidade é outra”, reclamaram ex-clientes aposentados que tiveram que abrir conta em outros bancos e até o começo desta semana ainda não tinham recebido suas aposentadorias.
O banco abriu diversas novas agências no primeiro semestre de 2012, algumas em cidades onde ainda não havia presença física do banco.
Na época o diretor comercial do Itaú, Edilson Pereira, alegou que a nova unidade em Capão Bonito contempla a missão do Itaú de estar mais perto do cliente. “Nosso processo de expansão visa chegar mais perto do cliente, oferecendo produtos, serviços e orientação financeira, além de conveniência para que ele efetue suas operações”, afirmou.

Banco pode fechar metade das agências em 10 anos
De acordo com informações levantadas pelo O Expresso, daqui a dez anos, o Itaú Unibanco pode ter apenas metade do número de agências que tem hoje e, nos próximos três anos, o corte já atingirá 15%.
A informação é de Marco Bonomi, o executivo que manda em toda a área de varejo do banco, durante uma reunião com acionistas em 2015.
As projeções de Bonomi sobre a rede física do Itaú e o fato de o banco estar mais obcecado por algoritmos do que por expandir esta rede mostram que o Itaú começou a colher frutos tangíveis de sua estratégia digital 15 anos depois de abraçar a internet em sua comunicação, quando aninhou seu ‘i’ na @rroba laranja.
No primeiro semestre de 2015, 36% do resultado da área de varejo do Itaú foram gerados por operações que aconteceram na plataforma mobile ou pela internet. Há três anos, este número era de apenas 8%.
Os gerentes do banco, que geravam 83% do resultado em 2012, agora geram 46%, de acordo com uma apresentação que o banco fez a investidores e está disponível em seu site.
O principal pilar da estratégia digital do Itaú é a abertura das chamadas agências digitais, um conceito que vai além do ‘internet banking’ tradicional porque inclui um relacionamento com um gerente e sua equipe de apoio. No segmento Personnalité, por exemplo, os ‘clientes digitais’ têm acesso a seu gerente de 7 da manhã à meia-noite, e se comunicam com ele e sua equipe por telefone, SMS, videconferência, email ou chat.
Agora, o banco está estendendo essa proposta digital ao Uniclass, onde espera atender 1,5 milhão de clientes em agências digitais. Os esforços do Itaú mostram uma instituição brasileira tentando se reinventar no momento em que, no mundo todo, os bancos são ameaçados pela desintermediação financeira e desafiados por novas tecnologias, que cada vez mais reduzem a tradicional agência bancária a uma armadilha demográfica: um lugar adorado pelos vovôs… e desprezado por seus netos.

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