Os últimos dias não foram fáceis para os moradores de Capão Bonito e região.
A greve dos caminhoneiros gerou impactos que lembraram um clima de guerra, com desabasteci-mento de produtos alimentícios, combustíveis, gás de cozinha e até medicamentos.
Foi uma mobilização que realmente parou o país e as cidades da região também sentiram os reflexos do movimento.
O desabastecimento obrigou a Prefeitura de Capão Bonito a suspender temporariamente algumas atividades públicas, principalmente relacionadas as Secretarias de Obras, de Educação e demais departamentos, devido a falta de combustível.
A rede municipal de ensino e também boa parte das escolas do Estado tiveram as aulas canceladas.
A greve prejudicou totalmente a logística de recebimento e transporte de merenda escolar e outras ações que permitem o funcionamento das unidades de ensino.
“Priorizamos os serviços de transporte escolar, os casos de emergência e urgência na Saúde e de tratamentos contínuos como o de pacientes que fazem hemodiálise e quimioterapia. Foram dias complicados para todos os gestores dos municípios da região Sudoeste, com algumas cidades decretando estado de emergência”, alegou o prefeito Marco Citadini, que é presidente do Consórcio de Desenvolvimento da Região Sudoeste (Condersul).
No último final de semana quem andou pelas ruas sentiu uma espécie de toque de recolher imposto pela falta de combustível em Capão Bonito e região.
Nas bancas da tradicional feira de domingo na avenida Amazonas, o preço de verduras e produtos estavam como jamais os consumidores viram, isso quando se achava o produto procurado.
“A greve gerou impactos em praticamente todos os setores, principalmente o agrícola. A gente vai sentir ainda os efeitos durante todo o mês de junho”, alegaram feirantes apontando o quilo de tomate a mais de R$ 10,00.
Em bairros como Vila Aparecida, pessoas denunciaram à reportagem d’O Expresso botijões de gás sendo oferecidos a mais de R$ 120,00.
Apesar da situação extremamente complicada, muitos moradores apoiaram uma grande carreata com mais de 200 veículos realizada por caminhoneiros na tarde do último domingo que percorreu vários bairros da cidade.
Caminhoneiros ouvidos pelo O Expresso às margens da rodovia Sebastião Camargo Penteado (SP-250), onde foi montado um ponto de bloqueio, afirmaram no domingo durante a passeata e na segunda-feira, 28/05, que a pauta econômica da categoria foi atendida com medidas provisórias publicadas pelo governo em edição extra do Diário Oficial.
“Da pauta inicial que a categoria apresentou para a Confederação (CNTA) e a entidade levou ao conhecimento do governo, o nosso entendimento é que foram atendidas, basicamente, 90%. Tem alguma questão ou outra que depende de uma questão um pouco maior, que depende do Legislativo, que o governo não tem como responder no momento. E vamos ter agora uma reunião a cada 15 dias, mas são pautas mínimas. Essa mobilização deu um recado duro a este governo. Não dá mais para continuar deste jeito. O povo nos apoiou”, alegaram os mobilizados.
Ameaça
Na tarde de quarta-feira, dia 30/05, O Expresso fez um balanço atualizado do desabastecimento em Capão Bonito.
A situação ainda era muito complicada, com filas de automóveis e motos em postos na região das avenidas Lucas Nogueira Garcez e Capitão Calixto.
O posto Dois Irmãos Shiokawa, responsável pelo abastecimento de veículos oficiais, chegou a sofrer ameaças no começo da semana por abastecer veículos.
Segundo o gerente Eser Rodrigues de Almeida, foi necessário negociar com manifestantes mais radicais para evitar problemas no estabelecimento.
O posto criou uma logística especial para garantir que veículos do Setor de Saúde e viaturas da Polícia Militar não ficassem sem combustível.
“Conseguimos ajudar principalmente pessoas que estavam com familiares doentes e precisavam abastecer de qualquer forma. Mas foi um clima que jamais vimos na vida”, alegou Eser Almeida.
O apoio da Polícia Militar de Capão Bonito escoltando alguns caminhões-tanques em postos de combustíveis também foi importante para garantir a segurança.
“Houve um esforço conjunto dos nossos policiais para garantir a preservação da ordem pública e que os veículos tanques entregassem suas cargas e houvesse abastecimento. Tivemos que conversar com alguns mais exaltados, mas tudo acabou transcorrendo de forma de relativa ordem, mas vamos continuar mo-nitorando por mais alguns dias”, informou o capitão da Polícia Militar, Wagner de Oliveira.
No Posto Ikeda uma fila grande ainda persistia na quarta-feira.
O posto tinha etanol, mas não tinha previsão de receber nova remessa de combustíveis no feriado de quinta-feira.
Outros postos como São Lucas e o com bandeira Petrobras na avenida Santos Dumont estavam sem funcionar e sem previsão para receber nossas remessas de combustíveis.
“Jamais vimos algo parecido com isso. Foram dias difíceis para todos nós”, alegaram frentistas do Posto Ikeda, tentando organizar a fila na quarta-feira.
Outra grande dificuldade foi encontrar gás nas revendedoras de Capão Bonito.
Muitas pessoas tiveram que improvisar, comer na casa de parentes ou fazer comida em fogão à lenha.
Nos supermercados os preços de alimentos também apareceram alterados e a expectativa é de que eles sejam normalizados nos próximos dias com o aumento da oferta.
Proprietários esperam a normalização do fornecimento para a próxima semana, caso não ocorra nenhum tipo de nova paralisação como foi ameaçada pelo Sindicato dos Petroleiros.









