O presidente eleito do Brasil – Jair Bolsonaro repetiu o bom desempenho nas urnas em Capão Bonito e recebeu 17.480 votos (74,31%) contra 6.044 (25,44%) de Fernando Haddad no último domingo, 28/10, pelo 2º turno das eleições.
Proporcionalmente, Bolsonaro foi mais votado em Capão Bonito do que no Estado, onde o presidente eleito obteve 67,97% dos votos.
João Dória (PSDB) foi o mais votado para governador com 13.818 votos (61,35%).
O atual governador Márcio França foi muito bem votado também e obteve 8.707 votos (38,65%).
A eleição foi uma das mais tranquilas dos últimos anos na cidade. Nas seções percorridas pela reportagem d’O Expresso não houve registros de problemas e a votação foi rápida.
Na região, em algumas cidades como Ribeirão Grande e Guapiara, o atual governador Márcio França (PSB) surpreendeu e foi o mais votado.
As estatísticas da eleição
Apesar de ter perdido a eleição, o candidato petista Fernando Haddad teve mais votos na maioria dos municípios brasileiros.
O petista ganhou em 2.810 cidades, ante 2.760 de Bolsonaro.
Ainda assim, a diferença de votos entre eles foi de 10,7 milhões a favor do candidato do PSL.
Os dados levantados mostram ainda que, quanto menor o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do município, maior foi a votação em Haddad e quanto maior, mais votos para Bolsonaro.
O indicador mede a qualidade de vida da população com métricas de acesso à educação, longevidade e renda.
Em São Caetano do Sul (SP), cidade com maior IDH do País, o militar da reserva venceu com 75,1% dos votos.
Já o pequeno município de Melgaço (PA), com menos de 10 mil habitantes e o menor IDH do País, deu vitória a Haddad por 75,6% dos votos.
A correlação é semelhante a estabelecida a partir das eleições presidenciais de 2006, quando o candidato petista era Lula e o antipetista era Geraldo Alckmin, do PSDB.
A onda Bolsonaro praticamente substituiu o protagonismo do PSDB. Alckmin teve votação abaixo do esperado, mesmo no principal reduto do partido, o Estado de São Paulo.
A cidade de Nova Pádua, no Rio Grande do Sul, deu a maior vitória de Bolsonaro – 93% de seus 1.904 habitantes o escolheram como novo presidente. Guaribas, no Piauí, deu 98% de seus 2.938 votos a Haddad.
Desequilíbrio
Apesar de ter conquistado maioria em menos municípios, Bolsonaro foi vitorioso em cidades muito mais populosas do que Haddad – como São Paulo, por exemplo, que tem o maior eleitorado no País.
Em votos válidos, a diferença de Bolsonaro para Haddad foi de 10,7 milhões de votos.
Os resultados do segundo turno mostram que o presidente eleito venceu em menos cidades do Nordeste – no primeiro turno ele teve mais votos em 38 de 1.377 municípios da região e no segundo, em 23. Haddad foi o que mais teve votos na região – ele venceu em todos os nove estados nordestinos. Mas o militar da reserva teve vitória com larga diferença em estados como São Paulo, Acre e Santa Catarina.
Em São Paulo, Bolsonaro conseguiu vencer com folga – teve 67,97% dos votos, ganhando na grande maioria dos municípios.
O governador eleito no Estado, João Doria (PSDB), deixou de lado a figura do presidente de seu partido Geraldo Alckmin, que não decolou na eleição presidencial, e colou no nome do militar da reserva para se alavancar com pedidos de voto “BolsoDoria”. Ele e Márcio França (PSB) vinham polarizando fortemente desde que o socialista ultrapassou Paulo Skaf (MDB) e conseguiu ir ao segundo turno. Doria venceu com 10,9 milhões (51,75%) de votos válidos.
Nos três Estados do Sul, a vitória de Bolsonaro foi ainda mais expressiva. No Rio Grande do Sul, ele teve 63,24% dos votos válidos, ante 36,76% de Haddad. No Paraná, Bolsonaro ficou com 68,43% dos válidos, ante 31,57% de Haddad. Mas o estado que mais deu votos para o presidente eleito na região foi Santa Catarina, com 75,92% dos válidos, contra 24,08% de Fernando Haddad.
Mudança
Alguns municípios mudaram de lado entre um turno e outro. Bolsonaro conseguiu converter 25 municípios de Fernando Haddad, seis deles em São Paulo, mas a resposta do petista foi maior. Haddad “virou” a disputa em 120 municípios onde o capitão reformado tinha sido o vencedor no primeiro turno, sendo que 41 deles estão em Minas Gerais, 19 em Goiás e 17 no Rio Grande do Sul. Além disso, Haddad herdou a vitória em todos os 103 municípios em que Ciro Gomes (PDT) tinha obtido maior parte dos votos, todos na região Nordeste do País.
No Estado do Ceará, que é reduto político de Ciro, o petista teve um de seus melhores desempenhos no Brasil e ficou com 71% dos votos válidos.
Essa transferência de votos de Ciro para Haddad já era prevista na série de pesquisas Estado/Ibope/TV Globo divulgada durante o segundo turno, a partir do dia 15 de outubro, mesmo com o pedetista não declarando apoio formal a Haddad. O ex-governador do Ceará teve 13,3 milhões de votos no primeiro turno (12,47%) e ficou em terceiro lugar na disputa.









