A data comemorativa sempre foi orgulho nacional. Em Capão Bonito tinha até uma banda chamada “7 de Setembro”, que se apresentava em datas festivas e eventos municipais.
Há uma foto da “Banda 7 de Setembro” quando se apresentaram em Iguape, em agosto de 1.955, sendo o maestro, Edmundo Cacciacarro, com Aridio, Vadico, Silvio, Isaltino, Araldo, João Prestes, Sergio, Virgilio, Currio, Toninho, Zeti, Manoel Cordeiro, Gibé, Joao Brasíli, Gaita, João Cordeiro, Bicancha, Sebastião, Angelo Matarazzo e Anesio.
O Antonio Benedito de Queiroz (1918-1980), o Quei-rozinho, escreveu um artigo sobre o histórico dessa banda: “a corporação Musical “7 de Setembro” foi fundada no ano de 1885, ainda no tempo do Império. A feliz iniciativa coube ao capitão José Joaquim Fer-reira, vulgarmente conhecido por Capitão Jeca, filho do tenente-coronel José Ignácio Ferreira, que foi o primeiro Prefeito Municipal de Capão Bonito.
Chefe do Partido Conservador, lutando na arena tormentosa da política que mandava as brasas, o Capitão Jeca assumiu uma atitude fora do comum naquela época. Desprezando os caprichos partidários estendeu convites aos elementos do Partido Liberal para integrarem a Banda de Música, e caldeados pelo entusiasmo, amando com apaixonada ternura as nossas coisas, conservadores e liberais atingiram o fim colimado; sendo escolhido para Diretor do novel conjunto musical o mesmo Capitão Jeca, e regente o musicista Bartolomeu de No-ronha, vulgo Nerozinho.
Por unanimidade foi resolvido que a Corporação tivesse a denominação de “7 de Setembro”, em homenagem à data maior, glória e orgulho da nossa História-Pátria.
Inicialmente fizeram parte da Banda “7 de Setembro” como músicos fundadores, as seguintes figuras: Capitão Calixto Gonçalves de Almeida, que contava 16 anos de idade, Capitão Eugênio Castanho de Almeida, Argemiro Soares de Oliveira, Tertuliano Soares de Oliveira, Francisco Antonio Pucci, Euclides Barbosa, Manoel Gouveia, Francisco Antonio Oliva, Emidio Ferreira de Proença e Franklin Arantes de Noronha.
Com a proclamação da República em 1889, o Capitão Jeca abandonou a política e a cidade, indo residir no Bairro Apiaí-Mirim, no que foi acompanhado por muitos músicos que também tomaram o rumo da roça, mas, assim mesmo, em casos excepcionais, ou nas festas do Divino e da Padroeira, era infalível a presença da Banda.
Nessa conjuntura Argemiro Soares de Oliveira tomou a seu cargo a direção da Banda de Música e se propôs a fornecer casa, luz e tudo que fosse necessário para o seu funcionamento, o que fez até o ano de 1901, quando corrente adversária assumiu o poder e a política tomou um caráter violento, porque raro é o Município que não tenha no seu passivo umas “eleiçõezinhas” sangrentas.
Dos músicos fundadores o senhor Francisco Antonio Oliva foi o último a descer ao silêncio tumular. Atualmente a Banda “7 de Setembro” pode contar em qualquer emergência, entre outros, com os músicos da velha guarda: Salvador Pereira Barros, Isaltino Gonçalves de Almeida, Ataliba Mendes, João Paulo de Sales, Antonio de Oliveira Ramos e da ala moça, Benedito Heg, Araldo Placedino do Nascimento, Antonio Cação, Flori Cordeiro de Miranda e Adilson Vasconcellos.
Folheando o registro dos acontecimentos que se gravam indelevelmente na vida das criaturas, abrindo aos olhos do mundo o escrínio enlutado das arquivadas recordações, rendemos sentido preito de saudade ao jovem Cipriano Rodrigues de Paula, falecido em 1913, aos 18 anos de idade, militante entusiasta da garbosa Corporação Musical “7 de Setembro”, cuja existência primaveril foi um sonho interrompido à madrugada da juventude.
A Banda “7 de Setembro” está em luto. Seus dulcilóquos vibram no ar em execução de marcha fúnebre, no último adeus ao dedicado musicista Sérgio de Oliveira, recentemente falecido.
A ele pois, a Sérgio Oliveira que dorme o sono derradeiro no cemitério de Capão Bonito, a terra que amou e engrandeceu, a renovação lacrimosa de nossa fé na eternidade da alma humana, que é no mundo um reflexo das maravilhas de Deus.”
Rafael Ap. F. Almeida, advogado









