Em tempos de quarentena, está todo mundo rebolando para se adaptar a essa transformação que pegou o mundo de jeito.
No comércio, a coisa virou de cabeça para baixo, e a relação cliente/empresa mudou da noite para o dia.
Mas como será o futuro da cultura do consumo? Resta-nos aguardar! Nesse cenário chamado planeta terra, a transformação, seja ela de ordem econômica ou social – apesar de que ambas são inseparáveis -, é a própria evolução da espécie, emitindo aqui um olhar darwinista.
Puxando um pouco o lado para a minha geração, lembro-me perfeitamente quando os shoppings começaram a chegar à nossa região. Os comerciantes tradicionais ficavam receosos de que os “King Kongs” do consumo destruíssem os pequenos e médios negócios.
Quem ficou estacionado, esperando ajuda dos céus, recuou nas vendas e até quebrou. Mas, quem pensou em novas relações de venda, permanece por aí, comercializando produtos e principalmente, emoções.
O consumo chamado hoje pelas autoridades de “não essencial” – uma classificação meramente sanitária e fisiológica – está diretamente ligado ao desejo e à necessidade de saciar emoções.
Excluindo os céticos que rotulam isso como bobagem, a venda não é exclusivamente de sapato, de calça, de perfume, de pizza Margherita, de vinho com uvas selecionadas dos Andes, de um espaguete La Carbonara, a afinidade é com o serviço e com a emoção que o produto transmite. Quem viaja até a Índia para conhecer um exemplo das antigas rotas das especiarias está em busca do produto ou da emoção? Comprar pimenta, gengibre, cravo, canela e noz moscada, é muito fácil: basta, talvez, caminhar alguns quarteirões de sua casa.
E a experiência de viver o romantismo do mundo antigo, encontra-se também na venda da esquina?
Enquanto houver humanos, haverá consumo, de produtos, de serviços e de emoções.
O café da Padaria do Bechara não é o melhor do mundo, mas junto com o café se oferece o bom papo, a cultura e o conhecimento, tudo isso transmitido de forma gratuita e por pessoas fantásticas que somente agregam valor à marca Capão Bonito.
Francisco Lino é Jornalista









