Abismo paulista

Na semana passada este jornal fez mais uma matéria jornalística analisando os dados do relatório do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas) relativos ao Censo de 2022.

Desta vez a equipe de jornalismo de O Expresso se debruçou sobre dados relacionado às atividades econômicas da região sudoeste, tendo como comparação estes mesmos números em outras regiões do Estado de São Paulo.

Entre os números analisados estão a renda média do trabalhador formal nas cidades da região em comparação com outras localidades. E o que pôde ser constatado é que apesar do crescimento do sudoeste ainda há uma grande distância com as outras partes do território bandeirante.

Em cidades das regiões de Campinas, São Carlos e São José dos Campos, a renda média mensal do trabalhador registrado é quase o dobro do que é computado em nossas cidades, até mesmo municípios que ficam em regiões que antes eram consideradas mais pobres do Estado, como o Vale do Ribeira, têm índices melhores do que da nossa região.

Nossa Capão Bonito tem uma média de 1,9 salário mínimo por trabalhador formal, Guapiara tem esse mesmo número e as cidades de Ribeirão Grande e Buri a média é ainda menor e atinge 1,8 salário mínimo por trabalhador formalizado, enquanto em outras regiões esse número passa de 3 e chega até a 4,4 na capital do Estado.

Estes dados deixam claro que um dos maiores, senão o maior problema do sudoeste paulista, é a geração e distribuição de renda, isso mostra também que apesar dos excelentes resultados em setores como agricultura, os municípios da região são carentes de presença de indústrias que geram bons empregos e melhores salários, como é visto em outras localidades do Estado. Essa falta de presença da indústria é perceptível até mesmo nas mais populosas das cidades da região e sem uma política de incentivo de aspecto regional continuaremos a ter essa discrepância existente na atualidade.

Isto também mostra que apesar dos avanços das últimas décadas ainda temos um longo caminho a percorrer para que possamos diminuir essa imensa distância que existe, que faz do Estado de São Paulo desigual no quesito distribuição igualitária de desenvolvimento.

Cabe aos gestores municipais, aos deputados da região mostrarem aos governantes do Estado que é necessário que o poder estadual dê a sua contribuição trazendo maior presença de recursos em infraestrutura e também de incentivos para que o sudoeste passe a atrair mais indústrias e com isso diminua o abismo que ainda existe entre a região e o restante de São Paulo.

Se mantivermos uma presença insignificante nesse segmento da economia em nossas cidades continuaremos a ver esse abismo que nos faz pensar que somos paulistas de segunda classe.

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