Após 110 dias de governo, prefeitura entrega as primeiras cestas para alunos da rede municipal

Diretor da Secretaria de Educação diz que entrega de cesta em casa é assistencialismo

A prefeitura de Capão Bonito entregou neste feriado de 21 de abril, dia de Tiradentes, as primeiras cestas de alimentos não perecíveis da atual administração do prefeito Júlio Fernando que completou 110 dias de governo esta semana.

As entregas foram feitas pela equipe gestora de cada unidade escolar e juntamente com a cesta de alimentos não perecíveis foram entregues um kit de verduras, frutas e legumes adquiridos da agricultura familiar.

Os recursos para aquisição dos alimentos são enviados pelo governo federal através do PNAE (Programa Nacional de Alimentação Escolar) e desde que começou a pandemia em março de 2020, as prefeituras foram autorizadas a entregar esses kits para diminuir a carência de muitos alunos que tinham na merenda escolar a sua única alimentação do dia.

Em Capão Bonito erros de quantitativo que motivaram até o cancelamento de um pregão marcado para março acabou atrasando a entrega das cestas que eram esperadas pelas famílias de alunos carentes para os primeiros dias do ano.

“Se passaram quase quatro meses para ser entregue essa primeira cesta e muitas famílias passaram dificuldades, pois só tinham ela para dar de comer a seus filhos. Muitos pais perderam emprego com esta pandemia e a cesta era a salvação”, disse uma mãe a O Expresso.

Outro ponto questionado é com relação ao fato de somente poder receber as cestas alunos de famílias que estão inscritos no Bolsa Família. Para muitos pais de alunos, eles teriam direito a cesta, pois mesmo não sendo inscrito no programa estão passando por dificuldades.

Uma mãe de aluno da zona rural do município relatou que pelo fato de seus filhos não estarem indo à escola neste ano a suas despesas com alimentação subiram muito e a família não conseguiu pagar a conta do armazém fazendo com que ela sobreviva da ajuda de amigos e familiares, pois não está conseguindo fazer a compra de mês e por não ter cadastro no Bolsa Família não teve direito a cesta entregue ao município.

A reportagem do O Expresso consultou o Ministério da Educação especificamente os coordenadores do PNAE sobre essa regra criada pelo município de Capão Bonito para distribuição dos kits de merenda escolar e em sua resposta o MEC informou que manda mensalmente recursos para a prefeitura de Capão Bonito para aquisição de produtos para a merenda escolar e que eles devem atender a todo aluno matriculado na rede municipal de Ensino. Quanto a incluir a regra do Bolsa Família a recomendação é que seja ouvido o gestor local.

O ex-vereador Heitor da Gelsa também questionou o fato de as cestas estarem sendo entregues nas escolas criando dificuldade para os pais e colocando em risco todos da unidade escolar e familiares dos alunos neste momento de grande proliferação do Coronavírus. “Neste momento da pandemia com números crescentes não tem sentido não entregar nas casas das pessoas. Eu fui muito crítico da gestão passada, mas naquele tempo as cestas eram entregues nas casas. Não tem sentido com milhares de famílias passando dificuldades e a prefeitura economizando com milhões em caixa”, disse o ex-vereador.

Nas redes sociais Heitor da Gelsa acabou entrando em discussão com o diretor de Ensino Fundamental Varani Baltazar que disse entre outras coisas que a entrega das cestas nas casas das pessoas é assistencialismo e que os alimentos são para aos alunos.

“Não tem sentido essa declaração do diretor de Ensino Fundamental Varani, ele tem carro, um bom salário e todas as condições que muitas famílias não têm, parece que querem gerar dificuldades para não entregar as cestas. Como outras cidades como Ribeirão Grande, aqui do lado, estão entregando em casa? Parece má vontade”, declarou Heitor.

A ex-chefe da Cozinha Central na administração do prefeito Marco Citadini, a professora Valéria Mainardes afirmou a O Expresso que na gestão passada a determinação era que as cestas fossem entregues nas casas para diminuir os riscos de transmissão da Covid, e também para não expor as famílias que estão em dificuldades. Era também feita um checagem por técnicos da Secretaria de Desenvolvimento Social.

“O prefeito Marco Citadini pediu que tivéssemos um cuidado em não expor quem estava sendo beneficiado e eram entregues cestas de não perecíveis todo mês e kit de legumes e frutas semanalmente. E mesmo com esse cuidado a Câmara fez uma CPI contra essa distribuição, espero que a atual Câmara analise o que está acontecendo agora também”, disse a ex-diretora.

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