As Vilas do Ouro

As vilas de Paranapanema e Apiaí nasceram de forma simultânea, ambas por motivos relacionados à busca de pedras preciosas, quando exploradores desceram serpenteando a Serra do Paranapiacaba, vindos da região do Rio Ribeira de Iguape e montaram os primeiros ranchos. Conta o historiador Aluísio de Almeida, em seu livro “Memória histórica sobre Sorocaba – Vol. II”, que “Apiaí deixou de ser arraial em 1735, quando se fêz o primeiro batizado, e em 1746 já era primeiro vigário de Paranapanema o padre Manuel de Lima Vergueiro. As duas freguesias continuavam a pertencer ao município de Sorocaba.”
Contando sobre as descobertas das vilas do ouro, os estudos de Rubens Calazans Luz, em seu livro “Santo Antonio das Minas de Apiahy”, descreve que “esses monges beneditinos em 1693 obtiveram a primeira sesmaria além do rio Sarapuí, no caminho de Curitiba aberto a pata de gado, ladeado por imensas sesmarias que iam sendo concedidas, até que em que 1721 o Ouvidor José Rafael Pires Pardinho determinou ficasse o rio Itararé por limite das duas vilas de Sorocaba e Curitiba.”
“Até esse rio havia algum gado e fazendeiro, então sinônimo de curraleiro, para vigiar. Eis que na mesma época em que lá longe os sorocabanos fundavam Cuiabá apareceram em seu município mesmo, na beira ocidental do Paranapiacaba, as minas de ouro de Apiaí e Paranapanema, logo povoadas por alguns brancos, que em 1728 receberam sesmarias e muitos administrados índios, caboclos e escravos africanos.
Ambas as freguesias foram criadas em 1746.” Em 1735, o governador de São Paulo, Antonio Luiz de Tavora, autorizou a mudança da Superintendência das minas de Paranapanema para Apiaí, vindo o arraial da Conceição a entrar em declínio quanto a exploração aurífera, no entanto, consta que passou a ter forte produção agrícola.
Em 1.776, o governador da Capitania de São Paulo, general Martim Lopes Lobo de Saldanha, enviou ofício ao Capitão da Vila de Paranapanema e à Câmara da Vila de Apiaí, ordenando, com urgência e sem perda de tempo, o melhor aproveitamento da picada que ligava as vilas, para o transporte de mantimentos para esta vila de Apiaí, pois sempre havia falta e carestia deles.
O governador afirmou na carta, que os mantimentos abundam no arraial de Paranapanema. Nesta época, 1.776, além da vila de Freguesia Velha, já deveria existir ranchos no Ouro Fino, Capela do Alto, Ribeirão Grande, Guapiara e a famosa Casa Grande, que era ponto de comércio e chegada de tropeiros com mercadorias para vendas e compras.
O complexo dos Encanados já estava em decadência, mas ainda haviam faiscadores com escravos, recolhendo ouro nos cascalhos dos ribeirões. Dessa forma, nesse período final da exploração do ouro, havia uma cultura agrícola progredindo no antigo povoado de Capão Bonito.
Em outro documento que aponta a produção agrícola, do Regimento das Ordenanças, denominado “Cabeçalho dos Maços da população de 1.803 na região das Minas do Paranapanema e o recenseamento da família do sr. Dionísio Ferreira Diniz”, consta que havia plantações de milho, feijão, arroz, além de fumo.
Há ainda informações de que parte da colheita de algodão e arroubas de toucinho, foram exportados para Iguape.
Os documentos podem ser acessados no grupo público do facebook “Freguesia Velha Museu da Imagem”, que é um projeto permanente de estudo e discussão histórica do município de Capão Bonito e região.

Rafael Ap. Ferreira de Almeida, advogado

Veja também