Baleia Azul: o jogo suicida que preocupa o Brasil e o mundo

Enquanto mostram receios matizados quando falam do seriado 13 Reasons Why, profissionais que atendem jovens não escondem o horror se o assunto é outro fenômeno relacionado ao suicídio de adolescente. Trata-se do jogo da Baleia Azul, que está se espalhando mundo afora pelas redes sociais.

Especula-se que mais de uma centena de suicídios na Rússia e até alguns casos no Brasil tenham ligação com a brincadeira macabra, uma espécie de gincana com tarefas a serem cumpridas ao longo de 50 dias.

As “missões” seriam orientadas por um curador, que verificaria se os resultados alcançados pelos jogadores são satisfatórios, e apresentariam graus de dificuldade variados: assistir a filmes de terror, acordar de madrugada, desenhar baleias, criar inimizades e se automutilar. O 50º e último desafio seria o de tirar a própria vida.

Nos últimos dias, a polícia passou a investigar alguns casos que poderiam estar ligados à prática do jogo no Brasil.

Na semana passada, por exemplo, teriam ocorrido em um único dia sete tentativas de suicídio entre adolescentes em Curitiba. Também há investigações no Rio de Janeiro, no Mato Grosso e na Paraíba.

“A série da Netflix tem um lado bom, que é fazer as pessoas conversarem e procurarem ajuda. O Baleia Azul é muito mais deletério, porque leva os jovens a assumir riscos, cumprir etapas, incluindo automutilação e autoagressão, e com final trágico”, criticam psiquiatras

Rafael Moreno Ferro Araújo, coordenador do Comitê de Prevenção do Suicídio da Associação de Psiquiatria do Rio Grande do Sul (APRS), acredita que o Baleia Azul pode levar os adolescentes a se matarem por atuar na questão da habituação.

“Em geral, antes de acontecer o suicídio de forma letal, são necessários alguns requisitos. Se a pessoa tem medo de sofrer dor, a tendência é não tentar, por exemplo. Mas no momento em que ela vai fazendo pequenos testes de autodestruição, que vai acostumando o corpo a sofrer, pode-se chegar a uma tentativa de suicídio. Nesse jogo, eles começam com testes de dor, de sofrimento, e isso vai aos poucos habituando, deixando o jovem mais tolerante à dor, até que chega o ponto que ele tem de se matar. Quem inventou isso é muito perverso”, avalia.

Como antídoto ao perigo, já começaram a surgir algumas iniciativas. É o caso do Baleia Rosa, uma página de Facebook criada por dois publicitários de São Paulo. Eles tentaram fazer exatamente o oposto do Baleia Azul, propondo uma lista de tarefas do bem. A página já passou de 145 mil curtidas.

Em Capão Bonito, escolas municipais, estaduais e particulares já estão desenvolvendo ações para alertar os estudantes. “É papel da escola acionar os pais, o Conselho Tutelar, a rede de saúde, caso algum transtorno de comportamento seja percebido. E incentivar o diálogo sempre com os adolescentes, para que eles se sintam incluídos e possam relatar possíveis problemas”, destacou a Secretaria Municipal de Educação de Capão Bonito.

Onde começou

o jogo macabro?

Ao que tudo indica o jogo Baleia Azul teve início na Rússia, em 2015, quando uma jovem de 15 anos cumpriu a última tarefa e pulou do alto de um edifício.

Dias depois, uma adolescente de 14 anos se atirou na frente de um trem.

Os episódios fizeram as autoridades do país começar uma investigação que ligou os incidentes a um grupo que participava de um desafio com 50 missões.

A preocupação com o jogo aumentou no ano passado, quando diversas fontes divulgaram, sem confirmação, 130 suicídios supostamente vinculados a comunidades virtuais identificadas como “grupos da morte”.

Diversos países, como a Inglaterra, França e Romênia têm enviado alertas aos pais depois que adolescentes apareceram com cortes nos braços e sinais de mutilação.

 

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