Brasil enfrenta escalada preocupante nos índices de suicídio

Por Luísa Tamura Ferrazzi

O suicídio no Brasil tem crescido de forma consistente nas últimas décadas, representando uma grave crise de saúde pública. Dados oficiais revelam que, entre 2010 e 2019, os casos saltaram de 9.454 para 13.523, um aumento de 43%. Entre adolescentes, a situação é ainda mais alarmante, com alta de 81% na taxa, que passou de 3,5 para 6,4 por 100 mil jovens.

Mais recentemente, um estudo que abrange o período de 2011 a 2022 aponta um crescimento médio anual de 6% nas taxas de suicídio entre os jovens no Brasil. Já entre 2013 e 2023, foram registrados 144.566 óbitos por suicídio, com predominância de homens (79%) e adultos de 20 a 49 anos (59%). Em 2022, a taxa chegou a 7,66 por 100 mil habitantes, com projeção de aumento para 8,95 até 2028.

A pandemia de COVID-19 teve impacto significativo. No início, houve uma queda nas taxas, seguida por uma retomada acelerada. De 2015 até o primeiro trimestre de 2020, a tendência de crescimento era lenta (0,017 mortes por 100 mil habitantes ao ano), mas depois disso, a subida ficou mais acentuada (0,089).

Além disso, entre 2003 e 2022, os suicídios por ingestão intencional de medicamentos aumentaram 2,6 vezes, passando de 253 para 922 casos, equivalente a um salto na proporção desse método de 3,2% para 5,6% dos suicídios totais.

Também há uma dimensão crítica nas tentativas e internações por tentativa de suicídio. Em 2023, o SUS registrou 11.502 internações relacionadas a autolesões deliberadas  cerca de 31 por dia, um aumento superior a 25% em relação aos 9.173 casos de 2014.

As estatísticas regionais apontam que as maiores taxas de aumento entre 2010 e 2021 ocorreram nas regiões Norte (56,6%) e Nordeste (54,9%). Entre os estados, os maiores aumentos foram observados no Pará (72%), Bahia (70,7%), Goiás (69%), Paraná (69%), Piauí (67,6%), Pernambuco (67%), Alagoas (65,4%) e Rio de Janeiro (64,8%).

Outro grupo em situação alarmante é o dos policiais. Entre 2018 e 2023, mais de mil agentes de segurança cometem suicídio, o equivalente a um caso a cada dois dias. Em 2023, o suicídio se tornou a principal causa de morte não natural entre trabalhadores de segurança pública.

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